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Massacre na selva

Com a ajuda da Polícia Federal, o Ibama do Amazonas apreendeu este ano 1.800 peças de artesanato indígena feitas com penas de aves, escamas de pirarucu e dentes de peixe-boi, entre outros subprodutos de animais silvestres. Uma portaria da Funai editada em junho, quando começam as principais festas regionais, proibiu esse tipo de comércio. Antes a venda de artesanato com subprodutos da fauna silvestre era permitida desde que apresentasse “certificado de origem indígena”, uma garantia de que só eram utilizadas sobras da caça de subsistência. As evidências de que os índios passaram a exterminar animais para lucrar com o artesanato levou à suspensão das concessões. Segundo o Ibama, no ano passado cerca de 28 mil araras foram abatidas com este fim, em cálculo subestimado, baseado apenas no material apreendido. A portaria da Funai aumentou o rigor na fiscalização do período de festas em 2004, com a apreensão de todo o estoque das 38 lojas de artesanato cadastradas junto ao Ibama em Manaus. Nem a tradicional festa dos bois-bumbás de Parintins escapou: foram encontradas penas de papagaios e araras azuis na fantasia da cunhã-poranga (espécie de porta-bandeira) do Boi Caprichoso. O Ibama esperou o desfile acabar para apreender o material e multar a agremiação em R$ 25 mil.

Redação ((o))eco ·
4 de agosto de 2004 · 22 anos atrás

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