
O Ginglymostoma cirratum tem um corpo de forma achatada e uma pele com textura muito áspera, semelhante ao de uma lixa. Seu nome popular? Tubarão-lixa. Sem surpresas aqui. Mas ele também é conhecido por lambaru, umbaru ou tubarão-enfermeiro, este último, especula-se, em razão dos “bigodes” entre as narinas, usados para encontrar a comida nos fundos arenosos, que parecem as pinças que os enfermeiros usam para auxiliar as cirurgias.
Ele pode medir até 4 m de comprimento e chegar aos 500 kg de peso. As fêmeas da espécie são, em média, maiores do que os machos e medem entre 1,2 e 3 metros, enquanto que os machos ficam entre 2,2 e 2,57 metros. Tem dentes pequenos e bem poderosos, capazes de infligir ferimentos graves. No entanto, não são muito agressivos, exceto se ameaçados. Em geral, nadam para longe quando são aproximados por nadadores e mergulhadores.
Diferente de muitos tubarões, o tubarão-lixa não se asfixia ao parar de nadar. Eles possuem um sistema respiratório secundário baseado no bombeamento de água através das suas brânquias pelo abrir e fechar de boca. Enquanto repousa, o tubarão-lixa muda para este sistema, poupando energia já que não há necessidade de nadar para fazer passar água e oxigênio por suas brânquias.
O G. cirratum habita o fundo do mar em águas litorâneas mornas (tropicais e subtropicais) desde a superficie até uma profundidade de cerca de 60 metros. São encontrados em recifes, canais entre as ilhas de mangues e planícies de areia ao longo do Atlântico Ocidental, do norte dos Estados Unidos até o sul do Brasil; no Atlântico Leste dos Camarões e Gabão; no Pacífico oriental, sul dos Estados Unidos ao Peru e ao redor das ilhas do Caribe.
Uma espécie de hábitos noturnos, durante o dia costumam ficar imóveis por longos períodos no fundo arenoso, em águas rasas. Enquanto dormem, ficam empilhados em grupos de até 30 indivíduos. À noite são muito ativos e bastante vorazes: se alimentam de peixes que habitam no fundo do mar, camarões, lulas, polvos, caranguejos e lagostas. Os tubarões-lixa se alimentam de forma cooperativa, em grupos de oito a dez, rodeando e concentrando cardumes de presas para logo devorá-los.
É uma espécie ovovípara, sendo que a fêmea pode colocar de 20 a 30 ovos. A reprodução ocorre uma vez a cada 2 anos. Os machos amadurecem entre 10 a 15 anos de idade, e as fêmeas 15 a 20 anos de idade. O tempo médio de vida destes animais é de 25 anos.
O ICMBio classifica a espécie como Vulnerável: são ameaçados pela caça e captura excessiva, bem como degradação de habitat por poluição. No Brasil, o tubarão-lixa é consumido por pescadores, que incidental ou ativamente capturam a espécie em razão da pesca costeira, pesca submarina e captura para o comércio ornamental. Também os impactos sobre a zona costeira, particularmente em áreas de recifes que constituem seu habitat preferido, causados pelo aumento da carga de nutrientes na água que se devem ao runoff pós-desmatamento e perturbação prejudicial causada pelo turismo.
Gavião-pombo-pequeno: predador dos céus da Mata Atlântica
Caboclinho-de-papo-branco: perdido entre milhares
Casca-grossa, mas simpática
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Organizações religiosas se juntam em carta ao STF sobre riscos ambientais
Carta aberta aos ministros do Supremo, assinada por entidades de religiões diversas, alerta para julgamentos sobre o licenciamento ambiental, da Moratória da Soja e Marco Temporal →
Tentativa de anular ampliação da Estação Ecológica de Taiamã é inconstitucional, diz MPF
Projeto de Decreto Legislativo que tenta reverter ampliação da unidade de conservação no Pantanal mato-grossense representa grave risco de retrocesso ambiental, detalha MPF em nota técnica →
Ferramenta monitora o que os governos estão fazendo para enfrentar o El Niño
Lançado pelo Política por Inteiro, o monitor concentra ações da União, Estados e Municípios voltados à prevenção, ao monitoramento e à resposta aos impactos do fenômeno no Brasil →
