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O elusivo Cachorro-vinagre

A coloração avermelhada dos pelos e o característico odor de vinagre dão nome ao homenageado do ((o))eco da semana. Foto: Tim Ellis.

Redação ((o))eco ·
26 de julho de 2013 · 8 anos atrás

Simpáticos cachorros-vinagre fotografados no Twycross Zoo, Inglaterra. Foto: Tim Ellis/Flickr
Simpáticos cachorros-vinagre fotografados no Twycross Zoo, Inglaterra. Foto: Tim Ellis/Flickr

Speothos venaticus, este é o nome científico do cachorro-vinagre (também cachorro-do-mato-vinagre e cachorro-do-mato), uma espécie de canídeo nativa da Américas Cental e do Sul. Encontrada em áreas de florestas pluviais, deciduais e semideciduais, abrange uma vasta região descontinua entre o Panamá e o Peru. No Brasil, sua distribuição original inclui toda a região amazônica, regiões Centrais e de Minas Gerais até Santa Catarina. Ainda assim é um pouco conhecido da maior parte da população.

É um canídeo com corpo atarracado, orelhas, pernas e cauda curtas. O comprimento médio da cabeça e do corpo é fica entre 57 e 75 cm, o da cauda 12,3 cm em média e o peso fica entre 5 e 7 kg. A coloração varia entre o marrom claro e o escuro, tendo tonalidade mais clara na cabeça e no pescoço. Animal semiaquático, seus dedos estão ligados por membranas interdigitais que o permitem nadar e mergulhar com facilidade.

O cachorro-vinagre se alimenta de crustáceos, aves, anfíbios e pequenos répteis, além de roedores como pacas e cotias. Também pode alimentar-se de presas maiores, como capivaras ou emas. Embora seja um animal pequeno, também é feroz, com fortes mandíbulas, e graças ao padrão de caça cooperativa (em bandos de até dez indivíduos) da espécie, em grupo são capazes de derrubar animais maiores.

A estrutura social dos grupos é fortemente hierarquizada, onde membros se comunicam através de um rico repertório de latidos. Os seus hábitos são diurnos e, à noite, se recolhem para dormir em tocas ou cavidades nas árvores. Gregários, vivem em grupos familiares pequenos, nos quais apenas o casal dominante se reproduz. O período reprodutivo do cachorro-vinagre fêmea ocorre duas vezes por ano, que varia conforme o sítio onde vivem.  A gestação dura em média 67 dias e resulta em ninhadas de 4 a 6 crias, que nascem em tocas e são alimentadas pelos adultos até cerca de cinco meses. A maturidade sexual é atingida aos 12 meses e a expectativa de vida média é de 10 anos.

Apesar de muito difundida, a espécie parece ser rara em toda a sua gama. O Speothos venaticus  tem provado ser extremamente difícil de localizar na natureza, o que torna as estimativas de tendências populacionais algo difícil. Acredita-se que existem menos de 110.000 indivíduos (metade dos quais adultos) e provavelmente sofre um declínio de  aproximadamente 10% por década como resultado da perda contínua do hábitat.

O cachorro-vinagre é muito susceptível à destruição de seu habitat e a doenças transmitidas por cães domésticos. A diminuição da vegetação ocasionando a diminuição de presas para a espécie também tem contribuído muito para o seu desaparecimento. É uma espécie pouco estudada pouco se sabendo sobre sua biologia na natureza. É classificada pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) como espécie Quase Ameaçada e pelo IBAMA, como Vulnerável.

 

 

 

 

 

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