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Outra espécie de serpente é descoberta na Paraíba

Pesquisadores que já haviam descrito nova espécie de cobra-coral na Mata Atlântica do Estado apresentam mais uma descoberta à ciência.

Daniele Bragança ·
2 de março de 2015 · 7 anos atrás

 

A Amerotyphlops arenensis, batizada em homenagem à cidade de Areia (PB). Foto: Divulgação.
A Amerotyphlops arenensis, batizada em homenagem à cidade de Areia (PB). Foto: Divulgação.

Pesquisadores apresentaram na edição de fevereiro da revista Zootaxa uma nova espécie de serpente na Paraíba: a Amerotyphlops arenensis – batizada com esse nome em homenagem à cidade de Areia (PB), onde foi descoberta pelos biólogos Roberta Graboski, Gentil Alves Pereira Filho, Ariane Auxiliadora Araújo da Silva, Ana Lúcia da Costa Prudente e Hussam Zaher. Três biólogos que fazem parte dessa equipe já estiveram envolvidos na descoberta de outra espécie no estado: a  Micrurus  potyguara, uma nova espécie de coral verdadeira e que foi descrita em abril de 2014, como mostra a reportagem de ((o))eco.

É uma espécie escavadora por excelência, de hábito fossorial, ou seja,  adaptado para escavar o solo e, por essa característica, vive sempre no chão. Sua dieta consiste em comer cupins e suas larvas. Como quase toda cobra cega, não chega a ser muito grande.

De nome herdou a ascendência americana e uma de suas principais características, o fato de ser considerada “cega”, uma inverdade, pois cobras cegas apenas possuem uma visão não muito boa, o que não é problema já que usam pistas químicas para detectar as presas. Amerotyphlops é formado pelo adjetivo latino amero, que significa “América” e a palavra grega typhlops, que significa “cego”.

A Amerotyphlops arenensis foi coletada na Reserva Ecológica Pau de Ferro, junto com outros espécimes, durante o doutorado do Dr. Gentil Alves Pereira Filho. O método de captura utilizado foram armadilhas de interceptação e queda (pitfall traps), muito utilizadas para a amostragem de anfíbios, répteis e pequenos mamíferos.

A Reserva está inserida no bioma Mata Atlântica, sendo considerada um brejo de altitude. De acordo com Pereira Filho, “os brejos de altitude estão sofrendo várias pressões antrópicas, sendo as principais o desmatamento e a diminuição de suas áreas”.

“Constatei pessoalmente, na Mata do Pau Ferro, a existência de caça, retirada de madeira, plantações e criação de gado dentro da área da reserva. E para coroar os problemas, trilhas feitas por jipes e motocicletas. Dai você pode imaginar o quanto a mata do Pau Ferro esta sendo impactada. Este quadro não é específico da Mata do Pau Ferro, todos os 43 Brejos de Altitude do nordeste sofrem varias pressões antrópicas. Isto é bastante preocupante, já que estas ilhas de mata são muito pouco conhecidas em relação a sua biodiversidade e pouco é feito para preservá-las.”, explica, em entrevista por e-mail.

O pesquisador reclama da ausência de fiscalização para coibir estes crimes ambientais.

Não se tem, ainda, o estado de conservação da nova espécie, mas ela já pode estar ameaçada pela perda de habitat e degradação causada pelo homem.

Pitfall traps -- A armadilha consiste em baldes plásticos enterrados no solo até o nível da boca. A lona serve de muro. A captura acontece quando os animais acompanham as lonas para tentar chegar ao outro lado, interditado. Foto: Divulgação.
Pitfall traps — A armadilha consiste em baldes plásticos enterrados no solo até o nível da boca. A lona serve de muro. A captura acontece quando os animais acompanham as lonas para tentar chegar ao outro lado, interditado. Foto: Divulgação.

 

Saiba Mais
A new species of Amerotyphlops from Northeastern Brazil, Wirth comments on distribution of related species.Roberta Graboski, Gentil Alves Pereira Filho, Ariane Auxiliadora Araújo da Silva, Ana Lúcia sa Costa Prudente & HussamZaher.

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  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

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