Notícias

Desmatamento cai 24% na Mata Atlântica

18 mil ha foram derrubados. Este é o segundo menor desmatamento registrado em 30 anos de monitoramento. Piauí foi o estado que mais desmatou.

Daniele Bragança ·
27 de maio de 2015 · 7 anos atrás

Desmatamento criminoso em áreas de Mata Atlântica. Foto: Germano Woehl Jr./Instituto Rã-bugio
Desmatamento criminoso em áreas de Mata Atlântica. Foto: Germano Woehl Jr./Instituto Rã-bugio

A devastação da Mata Atlântica está menor. De acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, estudo divulgado ontem (27) pela SOS Mata Atlântica e pelo INPE, em 2014 o desmatamento da Mata Atlântica diminuiu 24% em relação ao ano anterior.

Durante o período, foram desmatados 18.267 hectares – o equivalente a 18 mil campos de futebol. Este é considerado o segundo menor desmatamento da história desde que a região começou a ser monitorada, em 1985. O índice só perde para 2011, quando foram desmatados 14.090 hectares.

O estudo divulgado ontem analisa desmatamentos ocorridos em 17 estados no período de maio de 2013 a maio de 2014.

Melhorias

Entre 1985 e 1990, quando a região começou a ser monitorada, o desmatamento chegou a ser de 536 mil hectares. Nestes 25 anos de Atlas — cuja primeira edição foi lançada em 1990 –, a metodologia utilizada mudou: a análise, que antes era quinquenal, passou para um período bienal e, desde 2008, o Atlas é publicado anualmente.  

Além do período analisado, em duas décadas e meia também houve mudança nos satélites utilizados: se antes só “enxergavam” desmatamento acima de 25 hectares, hoje detectam derrubadas acima de 3 hectares.

Campeões

O Piauí liderou o ranking do desmatamento: sozinho, o estado foi responsável por quase 30% do desmatamento no período. A razão é a expansão da fronteira agrícola para o cultivo de grãos.

O segundo lugar ficou com Minas Gerais, que durante 5 anos foi o campeão absoluto de derrubada da Mata Atlântica. O governo mineiro tem se esforçado há dois anos para diminuir o ritmo da devastação, e pelo jeito os resultados começam a aparecer: em 2014, o estado conseguiu reduzir em 34% o desmatamento se comparado ao período anterior.

Apesar de ainda estar entre os maiores desmatadores, Minas criou políticas públicas para diminuir sua participação na devastação da Mata Atlântica. A pedido da SOS Mata Atlântica e do Ministério Público do Estado, desde junho de 2013 o governo fez uma moratória nos pedidos de concessão de licença de autorização para a supressão de vegetação nativa. Assim, empresas que entraram com pedido para desmatar áreas tanto para criação de pastos ou para novas áreas de agricultura, tiveram seus pedidos negados. A moratória ainda está vigente.

“O desmatamento continua, mas nós estamos verificando essa redução e todo o esforço que vem sendo feito pelo governo do estado para diminuir esses números”, afirma Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica.

Já a Bahia, terceira colocada no ranking, segue o exemplo de Piauí. Especificamente o oeste do estado, cujo município de Baianópolis foi o segundo que mais desmatou o bioma no país. A expansão agrícola deixou um rastro da destruição na vegetação de Mata Atlântica em plena área de transição entre este bioma, a Caatinga e o Cerrado.

“Isto exige uma maior atenção e vamos pedir para os governos dos estados para que eles autorizem também uma moratória e não permitam mais uma concessão de licença para desmatamento até que esse número seja reduzido”, afirma Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica.

Piauí, Minas Gerais e Bahia respondem, juntos, por 86% do desmatamento ocorrido em 2014.

 

Saiba Mais
Relatório técnico – Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica

Leia Também
Desmatamento na Mata Atlântica cresce 9%    
Desmatamento na Mata Atlântica é o maior desde 2008    
Políticas para a Mata Atlântica precisam sair do papel    

 

 

  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

Leia também

Salada Verde
16 de maio de 2022

((o))eco oferece curso gratuito de jornalismo ambiental para estudantes da Amazônia Legal

Participantes poderão concorrer a uma bolsa de 3 mil reais para produzir uma reportagem sobre a Amazônia

Notícias
16 de maio de 2022

Brasileiro recebe prêmio internacional por trabalho na conservação do tatu-canastra

O prêmio Future for Nature Awards 2022 reconheceu o trabalho do biólogo Gabriel Massocato no Programa de Conservação do Tatu-Canastra

Notícias
16 de maio de 2022

Deputado do AM quer flexibilizar licenciamento ambiental da BR-319 para facilitar conclusão das obras

Projeto é semelhante à manobra já tentada em 2015 pelo governo do estado para assumir competência sobre licenciamento, hoje de responsabilidade do Ibama, diz pesquisadora

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta