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Belém e Manaus têm potencial para sediarem uma Conferência Mundial do Clima na Amazônia

Belém é a favorita por conta da boa relação política de Helder Barbalho com Lula; já Manaus aparenta ter melhor estrutura urbana para um evento internacional

Fabio Pontes ·
7 de dezembro de 2022

O alinhamento político do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), com o presidente eleito Lula, além de uma infraestrutura urbana bem desenvolvida entre as capitais da região Norte, fazem de Belém a cidade com mais chances de sediar, em 2025, a COP da Amazônia. O pré-anúncio da conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil foi feito pelo próprio presidente eleito, durante sua participação na COP-27, realizada em novembro no Egito. 

Este foi o primeiro compromisso internacional do petista.  Na ocasião, o Brasil teve a oportunidade de apresentar ao mundo suas propostas de reconstrução da política ambiental, em especial para a proteção da Floresta Amazônica, após quatro anos de crescimento da devastação no governo de Jair Bolsonaro. 

Tão logo foi feito o anúncio, surgiram as especulações sobre qual cidade amazônica receberia o evento de proporções internacionais, o que exige uma boa infraestrutura e logística de mobilidade para receber pessoas de todo o mundo, incluindo chefes de Estado e de governo. Ao Helder Barbalho estar presente no anúncio da COP da Amazônia, todas as apostas ficaram centradas em Belém. 

Apesar da força política de Helder ante o futuro governo Lula, e a considerável estrutura urbana da capital paraense, Belém tem outra forte concorrente: Manaus. Conhecida como a “capital da Amazônia”, a capital do Amazonas já tem a expertise de receber grandes eventos internacionais, incluindo encontros sobre meio ambiente. 

Em termos de estrutura urbana e hoteleira, Manaus tem a herança de ter sido uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 – apesar de não ter ficado com nenhum legado expressivo no quesito mobilidade. O que desfavorece um possível pleito para receber o evento da ONU é o alinhamento do governador reeleito, Wilson Lima (União Brasil), com Bolsonaro. 

Mercado Ver-o-Peso em Belém, no Pará. Foto: Divulgacão

Nos dois turnos das eleições de 2022, ele foi o principal cabo-eleitoral do atual presidente no Amazonas. Mesmo assim, Lula foi o mais votado no estado, assim como no Pará. Juntas, Manaus (2.2 milhões de habitantes) e Belém (1,4 milhão) são as metrópoles da Amazônia. Mesmo com este título, as duas cidades não são a melhor referência em termos de sustentabilidade urbana. 

No Ranking do Saneamento 2022, elaborado pela Trata Brasil, Manaus e Belém ocupam as derradeiras posições no ranking dos 100 municípios brasileiros com melhores coberturas dos serviços de distribuição de água potável e tratamento do esgoto; a capital amazonense está na 89o posição, enquanto Belém  fica na 96o.

Em Manaus, pouco mais de 24% do esgoto da cidade recebem algum tipo de tratamento; em Belém, esse percentual é bem pior: 3,61%. Ou seja, a maior parte do esgoto produzido pelas duas cidades vai parar nos rios e igarapés que as banham in natura. 

Outro problema notório vivido pelos dois estados é o desmatamento do bioma amazônico dentro de seus territórios. Já há décadas o Pará ocupa as primeiras posições no ranking de áreas de floresta derrubada. O Amazonas, que até bem pouco tempo passava despercebido nesse tipo de análise, agora chama a atenção pelo avanço do desmate. 

Portanto, muito mais do que se apresentar como detentor da maior parte da cobertura florestal amazônica no continente, o Brasil precisará, primeiro, fazer o dever de casa para de fato se apresentar como um país verde e sustentável.

  • Fabio Pontes

    Fabio Pontes é jornalista com atuação na Amazônia, especializado nas coberturas das questões que envolvem o bioma desde 2010.

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