Campo Grande (MS) – Pouco mais de três meses depois do cancelamento ocasionado por decisão judicial, a audiência pública referente à proposta da criação de três unidades de conservação (UCs) em Bonito, Mato Grosso do Sul, será realizada na próxima segunda-feira (6), às 14 horas, no Centro de Convenções da cidade.
O evento é promovido pelo Ministério Público Estadual atendendo à solicitação do Sindicato Rural de Bonito, que solicitou a suspensão da audiência proposta pela Prefeitura de Bonito, marcada inicialmente para 25 de fevereiro, sob alegação de que os proprietários rurais que seriam afetados pelas novas UCs não teriam sido comunicados oficialmente acerca da proposta.
A proposta da prefeitura prevê a criação de três unidades de conservação (UCs) municipais: o Parque Natural Municipal da Guavira, uma área de cerrado de propriedade da Prefeitura Municipal de Bonito, adjacente ao aeroporto; e duas em áreas úmidas, conhecidas como banhados: o Refúgio da Vida Silvestre do Banhado do Rio da Prata, com área de 3.273 hectares, e o Refúgio da Vida Silvestre do Banhado do Rio Formoso, com 2.275 hectares. Essas duas últimas são os pivôs da discórdia entre o Sindicato Rural e a Prefeitura, o que levou a um acirramento do clima entre os grupos favoráveis e contrários às UCs.
A Associação Amigos do Rio Formoso alega que o município não tem uma gestão ambiental competente, além de publicar mensagens informando que as terras podem ser desapropriadas para criação das UCs. A entidade foi criada por proprietários de atrativos turísticos e produtores rurais cujas terras estão localizadas nas áreas propostas.
A “Amigos do Rio Formoso” espalhou outdoors pela cidade com os dizeres “Um rio precisa de amigos verdadeiros. Saiba tudo a criação das unidades de conservação em Bonito”. Por sua vez, a Prefeitura de Bonito produziu um vídeo de 3 minutos com forte apelo ambiental justificando sua proposta, além de disponibilizar a proposta em seu site. O Ministério Público, então, optou por ouvir as partes em audiência aberta à sociedade, com direito a questionamentos e debate.
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Lamentável como pessoas acham que é melhor fazer canja com a galinha de ovos de ouro, ao invés de deixá-la viva botando um ovo todos os dias e tirando proveito disso de forma permanente! Bonito depende de sua Natureza privilegiada para sobreviver, não só do ponto de vista ambiental, mas pelo lado econômico e social decorrentes do turismo de bases sustentáveis. Por que será que esse "sindicato rural" é contra a proteção do meio ambiente? Está claro que a criação de santuários ecológicos nas nascentes e banhados dos rios é crucial para a melhoria de vida de toda a população! As águas turvas decorrentes de atividades predatórias, como a drenagem dos pântanos, interessa a quem? Por que o interesse de alguns ruralistas é mais importante do que o de todo o resto da população? Será que tem algum candidato a alguma coisa querendo prejudicar a "concorrência"? Será que o promotor gosta tanto assim de canja de galinha a ponto de ajudar a matar a galinha dos ovos de ouro? Coisa estranha vindo de quem deveria defender os interesses sociais, o que inclui o meio ambiente equilibrado, que é essencial à condição de vida saudável. A ver até onde o interesse público prevalece sobre os interesses de alguns …
O que importa em toda essa discussão é a garantir imediata da proteção das áreas de banhado no município de Bonito. Não faz qualquer sentido essa conversa que enveredou por um caminho equivocado. Não parece razoável colocar em dúvida as intenções da prefeitura de Bonito na sua decisão de proteger as áreas naturais que garantem a qualidade da água dos rios da região. Essa deveria ser uma posição uníssona de toda a sociedade, incluindo proprietários rurais. Mas, muito em especial, do Ministério Público Estadual, que tem a obrigação de atender os interesses da sociedade, evidenciados de maneira absoluta no tema em questão. Por uma questão de coerência e de bom senso, essa instância deve se a primeira a se posicionar pela proteção efetiva de áreas conservadas em toda a região de Bonito. Que esse direcionamento seja agora colocado nos seus devidos trilhos. Não se espera nenhuma outra posição do MPE em casos assim.