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Conexão de trilhas e pessoas embala 1º Congresso Brasileiro de Trilhas

Evento que começou nesta quarta (25) e se estende até domingo, em Goiânia, conta com mais de 1.500 inscritos para discutir e fomentar a implementação de trilhas no Brasil

Duda Menegassi ·
26 de maio de 2022

Até o dia 29 de maio, todas as trilhas levarão a Goiânia, no estado de Goiás, onde ocorre o 1° Congresso Brasileiro de Trilhas. O evento, que começou na quarta-feira (25), reúne caminhantes, ciclistas, voluntários, servidores de órgãos ambientais e de turismo de todas as esferas, representantes do setor turístico e empreendedores, para discutir a implementação de trilhas em todo o país, compartilhar experiências, desafios, aprendizados e criar conexões.

Conectar, aliás, é a palavra-chave no Congresso, organizado pela Rede Brasileira de Trilhas com apoio do governo de Goiás e do Ministério do Turismo. Isso porque o grande objetivo do evento é unir os atores que movimentam a agenda de trilhas no Brasil (e até no exterior) e, através dessa sinergia, criar conexões entre as próprias trilhas para construir, de quilômetro em quilômetro, grandes caminhos nacionais. 

O objetivo é que esses caminhos, por sua vez, não sirvam apenas aos trilheiros, mas também aos animais, como grandes corredores ecológicos e conectores da paisagem natural. “As trilhas da Rede foram concebidas como ferramentas, também do ponto de vista ecológico, para serem um corredor. E já foram elogiadas pela IUCN [União Internacional pela Conservação da Natureza] como a primeira iniciativa de trilhas do mundo que já nasce com um forte componente de conservação”, explica o diretor de comunicação da Rede, Pedro da Cunha e Menezes, durante a palestra inaugural do Congresso.

O diretor também reforçou a importância de construir as trilhas como um sistema, em que os percursos são construídos de forma integrada e colaborativa. “E se é um sistema, o pertencimento tem que ser nacional. E a melhor forma de gerar pertencimento é ter um símbolo”, pontuou, em referência às pegadas amarelas e pretas instituídas como sinalização padrão da Rede Brasileira de Trilhas. “Assim você cria o produto Trilhas do Brasil”, completa. 

Atualmente, a Rede conta com 127 trilhas espalhadas por todo o país, com 5.500 quilômetros já implementados e outros 10 mil já planejados. Os caminhos das pegadas cruzam 390 unidades de conservação das diferentes esferas de gestão e mais de 300 municípios, espalhados em todas as regiões do país.

Apenas no estado anfitrião, estão três trilhas de longo curso: o Caminho de Cora Coralina, Caminho dos Veadeiros e o Caminho do Pai. As três fazem parte de um percurso ainda maior, batizado de Caminho dos Goyazes, com cerca de 1.200 quilômetros. O caminho cruza ainda o Distrito Federal. Hoje, aproximadamente um terço deste percurso já está implementado. 

Durante a solenidade de abertura do Congresso, na noite de quarta-feira (25), o presidente da Goiás Turismo, Fabrício Amaral, recebeu da secretária de Economia do Estado de Goiás, Cristiane Schmidt, um aporte de R$3 milhões a serem investidos na implementação das trilhas do estado.

“Esse congresso é um marco”, reforçou o presidente e idealizador do Caminho de Cora Coralina, Bismarque Villa Real, numa frase que foi repetida por outros participantes. “É uma oportunidade para articular as trilhas de forma conjunta, ampliar o escopo, unir os atores”, completou.

Palestra “Conexão Amazônia” apresentou quatro projetos de trilha da região amazônica. Foto: Duda Menegassi

O resumo

A programação do Congresso conta com palestras e oficinas realizadas de forma simultâneas entre três auditórios, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, além de uma sala de exposições com estandes de trilhas e destinos de ecoturismo. Até o momento, cerca de 1.500 pessoas já se inscreveram para participar do evento, que também conta com transmissão online no Canal da Rede Brasileira de Trilhas no Youtube

Nesta quinta-feira (26), diversas trilhas foram representadas – e apresentadas – em palestras ao longo do dia. Além dos caminhos do estado de Goiás e dos Caminhos do Planalto Central, em Brasília, também foram ao palco quatro representantes de trilhas na Amazônia: os Caminhos do Rio Negro, do Amazonas, a Trilha Amazônia Atlântica, no Pará, o projeto da Rota Carajás, também no território paraense, e a Trilha Chico Mendes, no Acre.

Discussões sobre como implementar uma trilha de longo curso, as instâncias de governança e a conexão de paisagem através das trilhas também se destacaram na programação do dia, com a presença de representantes de vários caminhos brasileiros.

Agenda da sexta-feira

Nesta sexta-feira (27), a programação inclui exemplos internacionais, como a Rota Vicentina, trilha de longo curso implementada em Portugal; e a palestra “Do Alaska à Patagônia: uma trilha como coluna estruturante da Rede Pan Americana de Trilhas”. Além disso, outras trilhas nacionais terão a vez para se apresentarem, como os caminhos peregrinos, a TransCerrado e os Caminhos de Rondon.
Confira a programação completa no link.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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Comentários 1

  1. Ola, muito interessante!!! Espero que os caçadores sejam remetidos a cadeia e nosso turismo consciente seja melhor explorado 😉