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Estamos ingerindo plásticos, alerta estudo

Durante o 26º Congresso Europeu de Gastroenterologia, em Viena, cientistas revelaram ter encontrado a presença de nove tipos da substância no corpo humano

Sabrina Rodrigues ·
23 de outubro de 2018 · 3 anos atrás
Os pesquisadores alertam para o rápido crescimento da produção de plástico no mundo. São 400 milhões de toneladas por ano. Foto: Ikhlasul Amal/Flickr.

 

Os humanos estão ingerindo plásticos sem sequer se dar conta, segundo um estudo apresentado na segunda-feira (22), no 26º Congresso Europeu de Gastroenterologia, em Viena. Os pesquisadores da Universidade de Medicina de Viena e da Agência Ambiental da Áustria informaram que pelo menos nove tipos diferentes de plásticos foram encontrados em fezes humanas.

O teste realizado pelos pesquisadores foi relativamente simples: um grupo de 8 pessoas, sendo 5 mulheres e 3 homens, de 8 países diferentes (Finlândia, Itália, Japão, Holanda, Polônia, Rússia, Reino Unido e Áustria) mantiveram um diário com informações de tudo o que eles comiam durante uma semana. Após isso, os participantes fizeram exames de fezes, que detectaram a presença de micropartículas de plásticos na alimentação.

Nenhum dos voluntários da experiência — todos adultos com idade entre 33 e 65 anos –, é vegetariano. Embora mantenham uma dieta diversificada, envolvendo carnes, frangos, legumes, frutas e peixes, não foi anotado derivado do petróleo como item para a alimentação do dia. Mesmo assim, o exame detectou a presença de microplástico nas fezes.

Como explicar isso?

Para os pesquisadores da Universidade de Medicina de Viena e da Agência Ambiental da Áustria, estas micropartículas infestaram a cadeia alimentar. Estudos anteriores também encontraram plásticos nos intestinos dos peixes. Restava saber se o nosso também havia sido atingido. Agora se tem certeza.

Ainda não é possível saber se a presença do microplástico em humanos é resultado da nossa dieta carnívora. “Devido ao pequeno número de voluntários, não podemos estabelecer uma conexão confiável entre o comportamento nutricional e a exposição a microplásticos”, explica um dos autores do estudo, Philipp Schwabl, da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia da Medical University of Vienna, “os efeitos das partículas microplásticas encontradas no organismo humano – em particular no trato digestivo – só podem ser investigados no contexto de um estudo maior ”, afirma o cientista.

Os pesquisadores alertam para o rápido crescimento da produção de plástico no mundo. São 400 milhões de toneladas por ano. Estima-se que dois a cinco por cento dos plásticos produzidos vão parar no mar, onde esse lixo é absorvido por animais marinhos até chegarem à cadeia alimentar. Os pesquisadores atentam também para a probabilidade de que os alimentos entrem em contato com plásticos durante o seu processamento ou através das embalagens.

 

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 2

  1. Giovana Cardoso diz:

    A grande problemática do plastico é o seu descarte recorrente, a sociedade precisa se desvincular desse material e cobrar por materiais reutilizáveis. Quando se avalia o plástico, observamos que é um material que está causando grandes catástrofes no meio ambiente, pois todos os dias milhões de microplásticos estão sendo digeridos pelos animais marinhos!


  2. Paulo diz:

    Bom dia.
    Se já existe micro organismo que digere petróleo in natura nos oceanos, porque não liberam micro organismos nos oceanos para digerir este plástico residual . Tecnologia existe, basta vontade dos governos.