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Museu do Amanhã discute a cidade (verde) que queremos

Espaço é palco de debate sobre desenvolvimento sustentável nas cidades e o valor da natureza no meio urbano

Duda Menegassi ·
29 de janeiro de 2017 · 9 anos atrás
Scarano mostra mapa com cobertura florestal na região metropolitana do Rio. Foto: Duda Menegassi.
Scarano mostra mapa com cobertura florestal na região metropolitana do Rio. Foto: Duda Menegassi.

Qual a importância de praças, jardins, canteiros e áreas verdes nos centros urbanos e como elas impactam a qualidade de vida de seus habitantes? Essas e outros questionamentos foram o mote do encontro realizado na quinta-feira (26) no Museu do Amanhã, na região portuária do Rio de Janeiro. O atual presidente do Jardim Botânico do Rio, o economista Sergio Besserman, e o diretor executivo da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), o Engenheiro florestal Fabio Scarano, se uniram para alimentar o debate e a pergunta “qual a cidade queremos pro amanhã?”.

A palestra “Áreas verdes urbanas: desafios da cidade, soluções da natureza” não poderia ter sido em local mais apropriado. O palco do futuro nos ajuda a analisar o que precisa ser feito hoje para alcançarmos a cidade – e o mundo – que queremos. A sombra das mudanças climáticas e de suas consequências que já se tornaram inevitáveis dita um compasso acelerado sobre as decisões que são tomadas hoje. O amanhã tem urgência e a solução está no hoje.

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“É preciso agir nas cidades hoje, pensando no amanhã”, sentencia Besserman. Além do bem-estar e dos efeitos positivos para saúde comprovados, as áreas verdes urbanas também são uma resposta para aumentar a resiliência humana frente às mudanças climáticas e ajudar a mitigar os seus efeitos. “As soluções locais são essenciais e por isso é fundamental o engajamento cidadão e o empoderamento das comunidades nesse processo”. Besserman reforça ainda que a participação das pessoas é um dos pré-requisitos não apenas para que esse processo de sustentabilidade ocorra de forma democrática, mas também para torná-lo mais eficiente, uma vez que “quem melhor conhece a cidade é quem vive nela”.

Projetos de restauração florestal, a arborização urbana e a conservação de áreas com importância ecológica são essenciais para integrar o conceito de sustentabilidade às cidades. Segundo os pesquisadores, o desenvolvimento sustentável não é apenas necessário, mas inevitável se queremos pensar no futuro e na adaptação aos efeitos das mudanças climáticas como o aumento do nível do mar. “É muito mais barato – e eficiente – lutarmos por uma natureza conservada, capaz de prestar serviços ecossistêmicos valiosíssimos, do que fazermos alguma grande obra para tentar solucionar o problema que nós mesmos criamos”, explicou Scarano.

Em termos de cobertura florestal, o Rio de Janeiro sai na frente da maioria das grandes cidades do mundo, com quase 30% de cobertura verde. O número, entretanto, máscara uma distribuição desigual, concentrada na zona sul carioca. “O Rio é uma cidade, mas existem muitas cidades aqui dentro”, explica Scarano, que complementa que é preciso pensar nos diferentes contextos locais e dar escala às soluções que funcionam de forma espalhada pela cidade.

O biólogo também aproveitou para chamar atenção de que a responsabilidade não é apenas com nosso quintal. “De onde vem a água que abastece o Rio de Janeiro? De fora. E a comida? De fora. É preciso pensar nos vizinhos”. O rio Guandu, por exemplo, principal fonte de abastecimento da cidade, tem apenas 11% de floresta para protegê-lo, de acordo com Scarano. “Não é possível pensar na sustentabilidade de uma cidade sem pensar na sustentabilidade de quem a cerca”.

 

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  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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