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Onça-parda fere criança em trilha na Chapada dos Veadeiros

Animal, que estava em cima de uma árvore, teria se sentido acuado com aproximação da família e deixou ferimentos no rosto da criança, que está hospitalizada em Brasília

Duda Menegassi ·
15 de maio de 2026

Uma família voltava de um passeio na cachoeira Poço das Esmeraldas, na região da Chapada dos Veadeiros, Goiás, quando uma onça-parda que estava em cima de uma árvore ao lado da trilha saltou sobre a criança, uma menina de 8 anos, deixando ferimentos em seu rosto antes de fugir para mata. O incidente ocorreu nesta quinta-feira (14) no Santuário Volta da Serra, em Alto Paraíso de Goiás. O pai e um colaborador da fazenda que acompanhava a família saíram em defesa da criança, usando uma mochila para afastar o animal. 

A criança foi levada ao Hospital Municipal de Alto Paraíso de Goiás, com o apoio da equipe operacional do atrativo. “O Plano de Atendimento a Emergências do atrativo foi imediatamente acionado. O Corpo de Bombeiros foi chamado e uma guarnição deslocou-se, de imediato, até à unidade hospitalar”, explica em nota a Fazenda Volta da Serra.

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De lá, a menina foi transferida para o Hospital de Base de Brasília, no Distrito Federal, para suporte hospitalar de maior complexidade. “O pai da criança seguiu na ambulância. Um dos gestores da Fazenda Volta da Serra responsabilizou-se por conduzir para Brasília, no veículo da família, a mãe da vítima e a outra criança, que não sofreu ferimentos”, detalha a nota. A menina segue hospitalizada.

Ainda de acordo com a Fazenda Volta da Serra, como medida preventiva, em conformidade com os protocolos de segurança e gestão de riscos da propriedade, a visitação no local está temporariamente suspensa.

“A direção do Santuário reforça seu compromisso com a segurança dos visitantes e colaboradores, permanecendo à disposição para dar assistência integral à vítima e sua família e colaborar com os procedimentos oficiais cabíveis”, completa o texto enviado a ((o))eco.

O que aconteceu

Conforme relato apurado por ((o))eco, o incidente ocorreu por volta das 16:30 da quinta-feira (14), quando a família voltava do atrativo Poço das Esmeraldas, acessível por uma trilha de cerca de 3,2 quilômetros. O passeio era uma celebração do aniversário de 8 anos da menina, cujo nome não foi divulgado por se tratar de uma menor de idade e para respeitar a privacidade da família. Eles estavam acompanhados por um dos colaboradores da fazenda que realizava o “toque de recolher” dos atrativos da propriedade, que fecha para visitação às 17:00. 

O grupo já estava próximo ao final da trilha, quando a menina apontou “olha mãe, um cachorro em cima da árvore”. Tratava-se, na verdade, de uma onça-parda (Puma concolor) ou suçuarana. Sem que houvesse tempo de reação, o animal saltou sobre a menina, ferindo-a com suas garras. “Esse detalhe é muito importante. Ela não mordeu. Não houve intenção de matar, nem de se alimentar. Ela provavelmente só se sentiu acuada, ameaçada e reagiu rapidamente, atacando o menor do grupo que estava no caminho para poder sair”, explica Marcelo Clacino, turismólogo e coordenador do Grupo Voluntário de Busca e Salvamento (GVBS), que atua em Alto Paraíso. 

O pai e o funcionário partiram para cima da onça e usaram a mochila do colaborador para afastar o animal, que fugiu para a mata. Já próximo do fim da trilha e do estacionamento, a criança foi levada no veículo da família até o Hospital Municipal de Alto Paraíso. “E às 20 horas a criança já estava no Hospital de Base em Brasília”, esclarece Marcelo, que acompanhou a ação.

O coordenador, que fez parte da elaboração do Plano de Ação Emergencial da Fazenda, destaca a importância da ação rápida e do seguimento dos protocolos estabelecidos.

“Quando você tem um bom planejamento você reduz a chance de um acidente grave, porque você trabalha as medidas de prevenção. E quando um acidente acontece, dentro desse planejamento emergencial, a gente tenta reduzir ao máximo a consequência. O tempo de resposta diminui drasticamente o dano à vítima e as consequências dos acidentes”, explica.

O Santuário Volta da Serra monitora a fauna silvestre com armadilhas fotográficas e já havia documentado a presença do felino na propriedade. “Já sabíamos da presença do animal na fazenda, mas não tinha histórico de avistamento ali no atrativo”, pontua Marcelo.

“Sabemos que há muita desinformação e pessoas que não entendem a dinâmica de um ambiente natural. A presença desse animal no local é um bom indicativo de preservação ambiental. Nós sabemos que é um caso isolado [o ataque], mas que nos alerta sobre os cuidados que devemos ter ao avistar um bicho desses na natureza”, destaca o coordenador.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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