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Sobrevivem os menores, somem os maiores

Estudo indica que a vida selvagem resiste à caça em áreas isoladas e preservadas da Amazônia, mas animais maiores desaparecem

Vandré Fonseca ·
17 de outubro de 2017 · 4 anos atrás
Macaco-barrigudo é um candidato a ir parar na panela em locais onde existe caça de subsistência. Foto: Wikipédia.
Macaco-barrigudo é um candidato a ir parar na panela em locais onde existe caça de subsistência. Foto: Wikipédia.

Manaus, AM — A vida na floresta resiste à caça praticada por comunidades isoladas da Amazônia, ainda mais se por ali existirem bons estoques de peixe como alternativa para a alimentação humana. Mas os bichos maiores, como antas, porcos-do-mato e macacos-barrigudos tendem a desaparecer.

Esta é uma das conclusões de um estudo publicado nesta terça-feira na PLOS One, pelos pesquisadores Mark I Abrahams e Carlos A. Peres, da Universidade de East Anglia, Reino Unido, e Hugo C. M. Costa, da Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus (BA).

“Nossos resultados implicam que os conservacionistas podem ser cautelosamente otimistas sobre a perspectiva de uma caça sustentável de subsistência pelas comunidades amazônicas”, afirma Mark Abrahams, autor líder e pesquisador da Escola de Ciências Ambientais da UEA.

“[…] os grandes animais afetados pela caça desempenham papéis ecológicos vitais para a saúde da floresta, como a dispersão de sementes. ”.

Ele lembra que os grandes animais afetados pela caça desempenham papéis ecológicos vitais para a saúde da floresta, como a dispersão de sementes. Além disso, onde a população humana é maior, há menos peixes e florestas, e a fauna sofre muito mais com a caça. O estudo verificou também que as cidades têm um efeito negativo sobre a biomassa da fauna no entorno.

O estudo foi realizado nas regiões dos rios Juruá e Uatumã, no Amazonas. Os pesquisadores caminharam ao longo de trilhas quase intrafegáveis no meio da floresta, para montar armadilhas fotográficas. No total, 383 câmeras foram montadas em diferentes distâncias das comunidades. Foram realizadas ainda 78 entrevistas com caçadores.

O estudo foi financiado pela UEA, pela Iniciativa Darwin para a Sobrevivência das Espécies, Explores Club, Fundação Rufford e Escola de Conservação Smithsonian Manson. Os autores destacam que compreender melhor o impacto da caça sobre a fauna na floresta é importante tanto para enfrentar a perda da biodiversidade quanto para garantir o futuro de comunidades que dependem da caça para sobreviver.

 

Saiba Mais

Artigo: ‘Measuring local depletion of terrestrial game vertebrates by central-place hunters in rural Amazonia’.

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