Reportagens

Se o lobo vier, telefone

Sua aparição no litoral gaúcho faz sucesso com as crianças. Mas pesquisadores que monitoram os lobos-marinhos e leões-marinhos avisam: deixem os bichos em paz.

Carlos Matsubara ·
18 de agosto de 2005 · 16 anos atrás


A advertência quanto ao pequeno perigo e o pedido de telefonema partem dos pesquisadores do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (Gemars), uma ONG formada em 1991 por estudantes do curso de Biologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O aviso é necessário porque é a temporada deles no litoral – perto de Torres e nos molhes de Rio Grande são os pontos onde aparecem muitos exemplares do leão-marinho-do-sul (Otaria flavescens) e do lobo-marinho-do-sul (Arctocephalus australis). As pessoas, e principalmente as crianças, são seduzidas pelo jeito fofo e meigo deles, e acabam se aproximando dos bichos.

Essas duas espécies são mamíferos aquáticos que alternam parte de sua vida na terra (reprodução, troca de pêlos e descanso) e parte no mar (alimentação). No litoral brasileiro é possível encontrar sete espécies (incluindo as focas) entre os 33 mamíferos aquáticos listadas pelo mundo afora.

A coordenadora do Gemars, Larissa Oliveira (foto), explica que o melhor a fazer é manter distância dos animais, não retirá-lo da praia, nem mesmo atirá-los de volta para o mar. E em hipótese alguma tentar alimentá-los. “Muitos desses animais são portadores de doenças como a tuberculose e a pneumonia”.


“A população, de modo geral, quer levá-los para casa, tratá-los como bichos de estimação. O correto é deixá-los em paz”, diz Larissa. Entre as duas espécies, o leão-marinho, apesar de maior (o macho chega a 300 kg), é mais manso que o lobo, que varia de 50 kg a 150 kg. “Mas eles só atacam ao sentirem que estão sendo ameaçados ou acuados”, ressalva.


O estudo consiste na colocação de uma marcação presa na nadadeira peitoral do bicho, igual a um brinco de marcar gado, que servirá como sua identificação. Na etiqueta constam dados do animal, email e telefone do Gemars. “Além de auxiliar nas estatísticas de reabilitação do centro, essas informações permitirão descobrir, por exemplo, de onde vêm e para onde vão os animais que chegam às nossas praias e quanto tempo eles demoram para se deslocar de um local para outro”, explica Larissa, doutora em genética pela USP.


Além de compreender melhor os procedimentos dos mamíferos, outro objetivo dos biólogos é o de aprimorar a sua reabilitação. Muitas vezes eles são vítimas da violência do homem. É bastante comum encontrar essas espécies mutiladas pelas redes dos pescadores ou por jet-skis.

* Carlos Matsubara é jornalista. Editor do site AmbienteJá.

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