A macaca-barriguda, nome vulgar da espécie Lagotrix lagothricha, habitava uma casinha de madeira, forrada por dentro com pelegos costurados para que não sentisse o frio das noites caxienses. Alimentava-se de todo tipo de frutas e verduras, ovos crus e iguarias menos ortodoxas como lagartas e minhocas, dieta pesquisada por Airton como sendo a indicada para a espécie dela. Os cuidados veterinários ficavam a cargo por um amigo da família, mas consta que “nunca teve sequer uma dor de barriga”. Amante dos animais, a família Zaniol sempre manteve também cães e gatos, os quais tratavam Brigite como igual. Catavam-se reciprocamente piolhinhos imaginários, tradicional troca de afeto entre os bichos, reservada a amigos íntimos.
Batalha jurídica
É exatamente o contrário do que pensa o maior primatólogo brasileiro, Adelmar Coimbra Filho. Para ele, o que conta são os sentimentos. Do animal. “Depois de 20 anos, ela já se identificou com a família, não vai se adaptar a mais lugar nenhum. A formação psicológica dela foi com os humanos. Tratado como um membro da família, o bicho adquire afeição pelas pessoas, fica quase humanizado. O Ibama deveria ter um departamento de psicologia animal, para não fazer um absurdo como este, e poder avaliar caso por caso”, critica.
A maior interessada não pode se manifestar. Brigite pertence a uma espécie natural do norte da América do Sul, ameaçada de extinção pela caça ilegal e destruição de seu habitat natural. Na natureza vivem em bandos de até vinte indivíduos e às vezes associa-se a outras espécies, como os macacos-prego e os bugios. A longevidade dos macacos-barrigudos chega no máximo a 25 anos. Entre os criados em cativeiro, costuma bater em 20 anos. Brigite já tem 20, e deve enfrentar agora o desafio de começar vida nova.
* Liège Copstein e jornalista em Porto Alegre e ama todos os animais menos baratas.
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