Pesquisadores que estão há décadas debruçados sobre a composição dos poluentes que agravam o efeito estufa divulgaram no final de outubro na revista Science que a emissão de alguns desses gases pode indiretamente afetar a quantidade de outros. E para dois poluentes em específico, essas interações de aerossóis podem amplificar seus impactos. Drew Shindell, cientista do Instituto de Estudos Espaciais Goddard, da NASA, assina o artigo atestando que o metano e o monóxido de carbono têm um impacto mais poderoso no aquecimento do que se imaginava. A equipe de Shindell monitorou sulfatos e nitratos e descobriu que quanto mais metano na baixa atmosfera, há menos sulfatos e mais aquecimento, entre outras interações pesquisadas.
Tradicionalmente, os pesquisadores avaliam o impacto de gases de efeito estufa estudando sua concentração na atmosfera com ajuda de satélites e extrapolam suas medidas para chegar a uma estimativa global. Hoje, os tratados internacionais para tentar controlar as emissões seguem essa metodologia, que, segundo os autores do estudo, subestima as contribuições do metano e do monóxido de carbono. Por isso, eles orientam que o foco das discussões deva deixar de ser o dióxido de carbono e recomenda que as propostas para reduzir o metano devam ser a chave dos novos acordos sobre mudanças climáticas.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
COP17 herda desafios de financiar combate à desertificação
Em 2024, na Arábia Saudita, a COP16 falhou na transformação dos compromissos voluntários em mecanismos práticos e financiados →
SEEG aponta 37 caminhos para reduzir emissões de metano no Brasil
Agropecuária, resíduos, florestas e energia estão entre os setores contemplados por caderno com soluções para reduzir as emissões de metano, gás 28 vezes mais potente que o CO₂ →
ONGs se juntam por novas áreas protegidas marinhas nos mares brasileiros
Proposta de mosaico de unidades de conservação visa proteger faixa de cerca de 1.500 km de montanhas submarinas, entre Ceará e Rio Grande do Norte →
