Reportagens

Chefe do IPCC tem esperanças de acordo

Após apresentação de metas por EUA e China, indiano Rajendra Pachauri afirma que pela primeira vez  suas esperanças estão em alta para um acordo nas negociações do clima.

Gustavo Faleiros ·
30 de novembro de 2009 · 12 anos atrás
foto: Rod Harbinson

O presidente do Painel Integovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Rajendra Pachauri, afirma que após a apresentação de metas de redução de gases de efeito estufa pelos Estados Unidos e China na semana passada, ele está bastante esperançoso de que um acordo robusto seja possível em Copenhague, onde ocorre a partir da próxima segunda (07) a 15a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 15).

“Minha esperança é que tenhamos um acordo forte. Agora, pela primeira vez a minha esperança está próxima das minhas expectativas com relação a Copenhague. Um acordo fará com que o público perceba que todos estes anos de falta de ação ficaram para trás, e isso por si só vai nos colocar numa trilha de mudança”, disse o cientista indiano.

Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama afirmou que seu país vai reduzir em 17% as emissões em relação aos níveis de 2005. A China por sua vez divulgou uma meta de 45% sobre a taxa de crescimento projetada para 2020.

O presidente do IPCC participou no último sábado de um debate com ouvintes da BBC World Service. O programa, que será transmitido nesta quarta-feira (Veja link), foi gravado em um auditório do Wellcome Trust, no centro de Londres. O Eco teve oportunidade de assistir à gravação.

Além de coordenar o painel científico mais respeitado da atualidade, Pachauri também tem sido um dos defensores mais árduos da mudança no estilo de vida de alto carbono. “O fato é que existe um minoria de pessoas no mundo que consome muito e uma maioria que aspira emitir tanto quanto”, diz. Perguntado qual o conselho para que as pessoas comuns diminuam sua pegada de emissões de carbono no mundo, ele deu os seguintes conselhos:

1)“Compre um carro somente se for inevitável, e ainda assim um carro eficiente em consumo de energia.”
2)“Desligue as luzes e quaisquer aparelhos eletrônicos quando for de um cômodo a outro de sua casa.”
3)“Coma menos, carne.”

Outro ponto importante, enfatiza Pachauri, foi a necessidade de uma decisão política sobre o nível de danos climáticos que serão aceitos no futuro. A Ciência já mostrou que acima de 1,5oC de aumento na temperatura média do planeta, muitos impactos à agricultura, suprimento de água e biodiversidade serão causados. O problema, pontua o indiano, é que as negociações fixaram a meta de 2oC como limite para o aumento da temperatura do globo . “Para algumas pessoas a preocupação é grande, pois isso parece não ser suficiente para evitar um nível perigoso de mudança do clima”, alerta.

Saiba mais
O Clima está mudando. E rápido

LEIA O ESPECIAL D’O ECO SOBRE COPENHAGUE

Atalhos
IPCC

  • Gustavo Faleiros

    Editor da Rainforest Investigations Network (RIN). Co-fundador do InfoAmazonia e entusiasta do geojornalismo. Baterista dos Eventos Extremos

Leia também

Reportagens
27 de outubro de 2021

Lobby do agronegócio reduz transparência ambiental de estados e favorece desmatamento

Governadores cedem a interesses de produtores rurais e bloqueiam ou dificultam acesso a dados públicos que poderiam apontar quem está derrubando a floresta ilegalmente

Reportagens
26 de outubro de 2021

De olho na COP-26, governo lança Programa de Crescimento Verde

Especialistas classificam iniciativa como vazia e retórica. Com desmatamento em alta e falta de políticas de controle, Brasil não terá nada de relevante para levar a Glasgow

Salada Verde
26 de outubro de 2021

Governo atualiza lista de municípios que mais desmatam a Amazônia

União do Sul (MT), Santana do Araguaia (PA) e Ulianópolis (PA) estão na lista de municípios críticos. Os três mais que dobraram a área desmatada entre 2019 e 2020

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta