foto: Rod Harbinson |
O presidente do Painel Integovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Rajendra Pachauri, afirma que após a apresentação de metas de redução de gases de efeito estufa pelos Estados Unidos e China na semana passada, ele está bastante esperançoso de que um acordo robusto seja possível em Copenhague, onde ocorre a partir da próxima segunda (07) a 15a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 15).
“Minha esperança é que tenhamos um acordo forte. Agora, pela primeira vez a minha esperança está próxima das minhas expectativas com relação a Copenhague. Um acordo fará com que o público perceba que todos estes anos de falta de ação ficaram para trás, e isso por si só vai nos colocar numa trilha de mudança”, disse o cientista indiano.
Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama afirmou que seu país vai reduzir em 17% as emissões em relação aos níveis de 2005. A China por sua vez divulgou uma meta de 45% sobre a taxa de crescimento projetada para 2020.
O presidente do IPCC participou no último sábado de um debate com ouvintes da BBC World Service. O programa, que será transmitido nesta quarta-feira (Veja link), foi gravado em um auditório do Wellcome Trust, no centro de Londres. O Eco teve oportunidade de assistir à gravação.
Além de coordenar o painel científico mais respeitado da atualidade, Pachauri também tem sido um dos defensores mais árduos da mudança no estilo de vida de alto carbono. “O fato é que existe um minoria de pessoas no mundo que consome muito e uma maioria que aspira emitir tanto quanto”, diz. Perguntado qual o conselho para que as pessoas comuns diminuam sua pegada de emissões de carbono no mundo, ele deu os seguintes conselhos:
1)“Compre um carro somente se for inevitável, e ainda assim um carro eficiente em consumo de energia.”
2)“Desligue as luzes e quaisquer aparelhos eletrônicos quando for de um cômodo a outro de sua casa.”
3)“Coma menos, carne.”
Outro ponto importante, enfatiza Pachauri, foi a necessidade de uma decisão política sobre o nível de danos climáticos que serão aceitos no futuro. A Ciência já mostrou que acima de 1,5oC de aumento na temperatura média do planeta, muitos impactos à agricultura, suprimento de água e biodiversidade serão causados. O problema, pontua o indiano, é que as negociações fixaram a meta de 2oC como limite para o aumento da temperatura do globo . “Para algumas pessoas a preocupação é grande, pois isso parece não ser suficiente para evitar um nível perigoso de mudança do clima”, alerta.
Saiba mais
O Clima está mudando. E rápido
LEIA O ESPECIAL D’O ECO SOBRE COPENHAGUE
Atalhos
IPCC
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Abertura do 1° Congresso Pan-Americano de Trilhas marca protagonismo brasileiro no continente
Evento se estende até domingo (8), com representantes de diferentes países que se inspiram no exemplo do Brasil para multiplicar as trilhas das Américas →
Morcegos: animais incompreendidos e vilanizados
Como a informação pode transformar o medo em curiosidade, aproximar as pessoas dos morcegos e transformá-las em aliadas da conservação →
Projetos de mineradora financiada pelo Master afetam 127 áreas protegidas
Levantamento da Repórter Brasil identificou 88 projetos de minerais críticos da 3D Minerals em áreas sobrepostas ou na zona de impacto de terras indígenas, territórios quilombolas, unidades de conservação e assentamentos; empresa arrematou áreas de exploração em leilão da ANM apenas 45 dias após ser criada →

foto: Rod Harbinson