Em outubro do ano passado, na esteira dos escândalos revelados pelo Greenpeace envolvendo compra de carne oriunda de desmatamento por parte dos maiores frigoríficos do Brasil, as empresas se mobilizaram para demonstrar comprometimento em mudar suas práticas danosas na Amazônia. Assinaram uma espécie de pacto afirmando que agora em abril já estariam adotando práticas sócio-ambientais para impedir que a floresta continue sendo vítima da pecuária – atividade que ocupa 80% das áreas desmatadas no bioma. O prazo acabou de acabar. A Marfrig e o grupo Minerva apresentaram resultados rasteiros perto do compromisso que firmaram seis meses atrás.
As empresas teriam que, primeiramente, cadastrar as propriedades de seus fornecedores na Amazônia, requisito fundamental para o monitoramento da cadeia produtiva da pecuária. A Marfrig assegurou que realizou a tarefa para 80% de seu volume de abate, mas não mostrou mapas de todas as fazendas. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) prometeu expandir este tipo de compromisso aos seus associados na região norte, mas para isso pediu mais três meses e empurrou para novembro a entrega do mapeamento.
A JBS, maior empresa processadora de proteína animal do mundo, assegurou ao Greenpeace que 80% do seu volume de abate estarão cadastrados até o fim deste mês. Hoje, o cadastro não supera os 43%. Desde que os frigoríficos assinaram o pacto com a organização, 14 mil hectares de floresta foram desmatados nas áreas de influência das empresas na Amazônia.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
As Cunhã-Porangas transformam o próprio corpo em floresta, rio e mito no Festival de Parintins
Representantes das mulheres indígenas, as cunhãs surge primeiro como guerreira, mas depois encarna a biodiversidade amazônica e a transforma em arte cênica →
O Mar não é Estação de Tratamento: o futuro das nossas águas no Conama
Revisão da Resolução Conama nº 430/2011, um dos principais instrumentos de controle de poluição hídrica no Brasil, exige responsabilidade com a vida marinha →
Webinar discute caminhos para fortalecer o financiamento climático no Brasil
Encontro online no dia 08 de julho terá como estudo de caso o Movimento Viva Água, que reúne diferentes atores para fortalecer ações de segurança hídrica, conservação e adaptação climática →

