Reportagens

Curso discute biodiversidade pós Nagoya

Encontro ocorrido em São Paulo na última semana mostrou a importância do novo acordo da Convenção da Biodiversidade para as empresas e governos.

Redação ((o))eco ·
21 de dezembro de 2010 · 15 anos atrás
Diretor de redação da National Geographic (foto
Diretor de redação da National Geographic (foto

Antes do curso começar Matthew Shirts, diretor de redação da National Geographic, contou um fato dos bastidores de Nagoya que clarificou de forma simples e direta a importância do país quando o assunto é proteção e conservação de recursos naturais. “Qualquer coletiva da ministra do meio ambiente Izabella Teixeira já era capaz de mobilizar todo o prédio. Lá fora, o Brasil está para a biodiversidade assim como a seleção brasileira está para o futebol”. “Cada vez mais a relação entre política interna e externa tende a ampliar. O Brasil é vitrine, há grandes expectativas de outros países sobre o uso de recursos, devemos zelar pela humanidade. Não adianta assumir metas internacionais e, externamente, adotar políticas contrárias. Somos questionados em relação às nossas atitudes”, complementa Bráulio Dias, do MMA.

Este questionamento inevitavelmente passa, por exemplo, por prováveis e desastrosas alterações no Código Florestal e construções de grandes e impactantes obras de infraestrutura. “O país está crescendo, assim como a população e os hábitos de consumo. Precisamos de energia, possuímos uma matriz energética mais limpa do que muitos países desenvolvidos. O que nos resta para a construção de hidrelétricas é a Amazônia, mas em quais condições e a que preço?”, questiona.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



De acordo com o secretário, o Brasil ainda não tem definidas estratégias coordenadas de desenvolvimento sustentável. Ele mostrou o avanço do desmatamento em cada um dos biomas e alertou que os desafios para a conservação e proteção da biodiversidade serão ainda maiores nos próximos anos. “O país terá que discutir conflitos entre desenvolvimento e conservação e, ainda assim, garantir a proteção da biodiversidade com a produção de energia e de alimentos. Vamos ter que ser criativos” afirma, com notáveis doses de realismo.

E, sob esta mesma dose, finaliza sua apresentação dando a “chave” para a solução de muitos problemas considerados importantes para a sociedade. “Governo é movido à pressão, pois suas demandas são sempre altas e bem além de sua capacidade. A pressão da mídia e dos brasileiros é que determinarão as prioridades”.(Karina Miotto)

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
22 de maio de 2026

STF valida redução de área protegida no Pará para abrir caminho à Ferrogrão

Supremo considera constitucional mudança nos limites do Parque Nacional do Jamanxim, em decisão que favorece projeto ferroviário alvo de críticas socioambientais

Reportagens
22 de maio de 2026

Arborização urbana esbarra na falta de continuidade das prefeituras

Metas e dispositivos legais existem, mas a falta de coordenação, orçamento próprio e problemas de gestão figuram como grandes empecilhos

Salada Verde
22 de maio de 2026

Observatório do Clima vê risco de captura regulatória em PL pró-agro

Organização critica projeto aprovado na Câmara durante a “Semana do Agro” e alerta para risco de interferência do agronegócio sobre decisões ambientais e sanitárias

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.