Reportagens

Um contraste de trilhas que brindam à mesma paisagem

Do bem conservado Parque da Catacumba ao não cuidado Morro da Saudade, a certeza de que é preciso investir e valorizar as belezas do Rio.

Duda Menegassi ·
2 de janeiro de 2013 · 11 anos atrás
Cartão postal da Cidade Maravilhosa. Foto: Duda Menegassi
Cartão postal da Cidade Maravilhosa. Foto: Duda Menegassi

O Parque Municipal da Catacumba está no coração da zona sul carioca com a privilegiada vizinhança da Lagoa Rodrigo de Freitas, e é por lá que passa a Transcarioca, no trecho que dará continuidade à trilha que desce no Parque Lage e segue pelo asfalto até a entrada do Parque, na Avenida Epitácio Pessoa, 3000. Do Catacumba, o percurso continua no sentido Morro da Saudade e São João. Essa ligação entre a Catacumba e o Morro não existia até recentemente e ainda necessita de um extensivo trabalho de manejo e sinalização até que fique apta para o uso público.

O trecho que fica dentro da Catacumba em contrapartida, está em excelentes condições e é fácil de ser percorrido. Além disso, há infraestrutura para servir como ponto de apoio aos excursionistas, com lanchonete, sombra e água fresca.

A história da Catacumba

Pela trilha há painéis que contam um pouco mais sobre o Parque da Catacumba, que está relacionada à remoção da favela de mesmo nome, no começo da década de 70, que ocupava a encosta do morro. Para evitar uma possível reocupação, o prefeito da cidade na época, Marcos Tamoyo, investiu na recuperação florestal da área e na implantação de um parque com obras de arte que se integrasse à paisagem. O Parque Municipal da Catacumba foi inaugurado em 1979.

O percurso é parte do circuito interno do Parque da Catacumba e pode ser feito em menos de uma hora, sem precisar de grandes fôlegos. Em compensação, talvez os mirantes no trajeto possam roubar o ar dos seus pulmões por alguns instantes enquanto você pensa, pela enésima vez, em como o Rio de Janeiro consegue ser tão lindo.

O primeiro deles é o Mirante do Sacopã. Com uma vista que vai da lagoa ao oceano, o Cristo Redentor abre os braços lá de cima para receber os visitantes em sua cidade e pedir que não se acanhem diante de tanta beleza. Para conferir o outro lado do cartão postal bastam 10 minutos para chegar no Mirante da Pedra do Urubu, local de onde foi possível ver a árvore de Natal ainda montada no centro da Lagoa, além do entorno completo da região e o Morro da Saudade, logo em frente.

A Transcarioca irá descer nesse ponto, para chegar ao Morro da Saudade. Essa parte do passeio fui obrigada a percorrer de carro, já que a ligação entre os dois foi feita apenas posteriormente a minha aventura por lá.

Retomo a trilha numa entrada para a floresta, nas costas de uma casa, na comunidade dos Cabritos. Um acesso desconhecido de uma área pouco valorizada, principalmente pela proximidade com a favela, mas que agora, em tempos de pacificação, passa a ganhar novas cores e importâncias.

Da favela dos Cabritos, no pé do Morro da Saudade, a vista privilegiada. Foto: Duda Menegassi
Da favela dos Cabritos, no pé do Morro da Saudade, a vista privilegiada. Foto: Duda Menegassi

Esse trecho não é necessariamente o caminho oficial que será adotado pela Transcarioca, e é percorrido com alguma dificuldade. Um lixão logo no começo evidencia a necessidade de investir na recuperação dessa área. São cerca de 40 minutos de subida íngreme, guiada por um antigo morador, Ismael, que se esforça para preservar esse patrimônio natural. O cume, infelizmente, está muito encoberto para possibilitar uma vista do que é um ponto privilegiado, entre a praia e a Lagoa. Pelas brechas nas copas das árvores vislumbro pedaços de azul, e faço na memória a paisagem que sei que existe por detrás da folhagem.

Não há dúvidas quanto ao potencial do Morro da Saudade, resta esperar pelos esforços da Transcarioca que pretende não só transformá-lo em um novo ponto de interesse turístico, mas recuperá-lo e preservá-lo.

 

Copie o código e cole em sua página pessoal:

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

Leia também

Análises
13 de junho de 2024

Crises ambientais, governança democrática e direitos: quantos alertas ainda serão necessários?

Que os 365 dias de cada ano sejam oportunidades de ações e condutas com responsabilidade para com a integridade ambiental e justiça social planetária

Notícias
13 de junho de 2024

Evento pré-COP termina sem acordo sobre principal tema a ser discutido em Baku

Conferência de Bonn repete a disputa histórica entre países ricos e pobres sobre financiamento climático e provoca efeito dominó nas outras decisões da pauta

Notícias
13 de junho de 2024

Corte de árvores em obra da nova sede da Secretaria de Meio Ambiente de Manaus gera polêmica

Denúncias apontam descumprimento de uma recomendação do Ministério Público do Amazonas. Órgão cortará 132 árvores. Prefeitura minimiza impactos

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.