![]() |
Organizações peruanas publicaram no dia 31 de julho deste ano uma declaração onde afirmam estar em alerta sobre a potencial aprovação do Estudo de Impacto Ambiental para a ampliação do Programa de Exploração e Desenvolvimento de gás no Bloco 88, adjacente à Camisea, na Amazônia peruana. Promovida pela empresa petroleira PLUSPETROL, a expansão ocorreria sobre parte da Terra Indígena Kugapakori, Nahua e Nanti, localizada na região de Cusco e Ucayali. No caso, 23% do bloco 88 se sobrepõem à reserva que ocupa uma área de 456 mil hectares.
Se o Estudo de Impacto Ambiental para o bloco 88 for aprovado, as 19 organizações signatárias se declaram “preocupadas com o alto risco de violação de direitos dos povos indígenas em situação de isolamento e de contato inicial” na região.
O documento denuncia falhas nos estudo iniciais, ao qual faltaria “clareza na identificação de impactos” à reserva indígena, além de indefinição de medidas mitigatórias suficientes. Somadas à falta de instrumentos estatais para a proteção dos povos indígenas que lá habitam e a inexistência de regulamentação para os povos que estão em fase de contato inicial, os signatários afirmam que as atividades para a ampliação do Bloco 88 “abrem o caminho para a total desproteção destes povos”.
Em 06 de agosto, a Defensoria do Povo do Peru, através de seu representante Eduardo Vega Luna, apresentou uma carta à Presidência do Conselho de Ministros do Peru expressando as mesmas preocupações e lembrando ao Estado peruano suas “obrigações jurídicas” que reforcem os mecanismos de proteção a existência e integridade dos povos indígenas em isolamento e em contato inicial.
O Estudo de Impacto Ambiental para a expansão de operações no Bloco 88, encomendado pela petroleira argentina PLUSPETROL, contempla a perfuração de pelo menos 18 poços exploratórios e a colocação de um gasoduto para transportar o gás natural entre San Martín Este e San Martín 3. O estudo foi entregue ao Vice-ministério de Interculturalidade, que emitiu a Resolução N° 005-201-VMI-MC, onde faz 83 observações e conclui que “a empresa não apresentou no Estudo de Impacto Ambiental qual foi o método de valoração de impactos que utilizou”. O documento repete o parecer de que faltaram critérios técnicos para estabelecer o impacto da nova exploração e que o plano carece de medidas mitigadoras.
Apesar dessas críticas vindas de um órgão do governo, outro órgão, o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado, do Ministério de Ambiente, deu a sua autorização através de uma nota enviada ao Ministério de Energia e Minas. Ela permite a continuação de atividades de pesquisa na região, informa o jornal La República. A medida criou um conflito dentro do governo e, de acordo com fontes do Ministério da Cultura, levou à renúncia de Paulo Vilca Arpasi, Vice-ministro de Interculturalidade.
Saiba Mais
Relatório técnico de Vice-ministério de Interculturalidade [PDF] Terceira opinião técnica de Sernamp [PDF] (11 de julho 2013)
Última opinião técnica de Sernamp[PDF] (12 de julho 2013)
Leia também
Podem índios e grandes empresas colaborar?
“Não vivemos em um mundo perfeito”
Camisea vê desaparecer seus peixes
Amazônia peruana: tecnologia promete reduzir impacto dos poços de petróleo
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Caçadores são presos em flagrante no Parque Nacional da Tijuca
Os dois caçadores estavam dentro do parque na noite de quarta com cães de caça e uma paca já abatida. Soma das multas é de R$ 40 mil e pena pode chegar a três anos →
Caminhos do Pampa: uma trilha, múltiplos desafios e possibilidades
No coração do Pampa, no Rio Grande do Sul, a trilha de longo curso surge como ferramenta de conectividade e oportunidade de valorização do bioma e seus atributos ambientais e culturais →
Copa do Mundo das Áreas Protegidas: Grupo A
Grupo de estreia do mundial conta com México, África do Sul, Tchéquia e Coreia do Sul. Assim como no futebol, a disputa entre estes países está em aberto na Copa das Áreas Protegidas →



