Reportagens

O Rio Antigo em novo olhar

Leia o primeiro capítulo do livro de Pedro da Cunha e Menezes que traz imagens inéditas do Rio de Janeiro nos séculos XVIII e XIX encontradas na Austrália.

Lorenzo Aldé ·
17 de dezembro de 2004 · 21 anos atrás

Imagens inéditas do Rio de Janeiro dos séculos XVIII e XIX são reveladas no livro O Rio de Janeiro na rota dos mares do sul (editora Andrea Jakobsson), de Pedro da Cunha e Menezes. Lançada na sexta-feira, 17 de dezembro, a obra traz 200 pinturas, aquarelas e desenhos encontrados em museus e instituições australianas.

O Rio Janeiro era utilizado como escala para os viajantes europeus que seguiam rumo à Oceania. Durante a parada, que podia durar dias ou meses, naturalistas, artistas e cientistas de várias áreas aproveitavam para explorar esse pedaço do Novo Mundo, registrando o que viam.

O diplomata Pedro da Cunha e Menezes, ex-chefe do Parque Nacional da Tijuca e colunista do O Eco, sempre foi fascinado pelos registros históricos do nosso passado colonial e imperial. Ainda na direção do Parque da Tijuca, começou a pesquisar e catalogar quadros que ilustrassem a relação do homem com a Floresta ao longo do tempo. Numa dessas buscas, deparou-se, maravilhado, com a aquarela View from the summit of the Cacavada (Corcovado), de Augustus Earle. Com igual espanto, descobriu que ela fazia parte do acervo da Biblioteca Nacional da Austrália. Em agosto de 2001, mudanças profissionais o aproximaram irresistivelmente daquela recém-descoberta meada: foi escalado pelo Itamaraty para servir como cônsul adjunto em Sidney.

A pesquisa continuou, e uma após outra surgiram-lhe imagens raras de um Rio de Janeiro quase irreconhecível. Natureza exuberante e águas abundantes — seja nas cachoeiras da floresta tropical seja nos mares e mapas dos navegantes —, a ocupação humana marcando o espaço com suas construções, igrejas, fortes e casarios, e os personagens daquele cenário em situações cotidianas, dos índios aos membros da Corte, do escravo ao imperador. Junto com seu entusiasmo, cresceu a idéia do livro. “Não podia aceitar o fato de, em pleno século XXI, existir tão vasta coleção sobre o Rio de Janeiro enfurnada do outro lado do globo, com muitos itens jamais catalogados pelos principais estudiosos brasileiros do tema”, escreve o autor, na Apresentação.

A luxuosa edição divide-se em duas Partes: Uma Brasiliana na Austrália e O Rio de Janeiro na rota dos mares do sul, a primeira escrita por Menezes e a segunda por Julio Bandeira. Em 13 capítulos temáticos, os textos suscitados pela iconografia passeiam pelos elos entre Brasil e Austrália, pela “cidade global” que era o Rio da época, pelos trabalhos científicos e artísticos, os costumes do povo, as histórias da Floresta da Tijuca e as peculiaridades naturais e sociais que compuseram no Rio uma receita única e inigualável.

Ao fim do livro, o texto inteiro vem reproduzido em inglês, numa justa providência de quem não se conforma em ver preciosas fontes de conhecimento serem desperdiçadas por descuido.

  • Lorenzo Aldé

    Jornalista, escritor, editor e educador, atua especialmente no terceiro setor, nas áreas de educação, comunicação, arte e cultura.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
16 de abril de 2026

Ipaam regulamenta cadastro ambiental obrigatório e integra sistema ao Ibama no Amazonas

Norma unifica registros, define cobrança da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental do Amazonas (TCFA/AM) e amplia controle sobre atividades potencialmente poluidoras

Salada Verde
16 de abril de 2026

WWF-Brasil e Copaíba assumem Pacto da Mata Atlântica para destravar restauração

Nova coordenação aposta em articulação entre políticas públicas, financiamento e território para ampliar a escala e a efetividade da restauração no bioma

Notícias
16 de abril de 2026

Novos editais da BR-319 são contestados na Justiça por possíveis ilegalidades ambientais

Observatório do Clima prepara ação contra o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e aponta ausência de licenciamento e riscos climáticos na pavimentação do “trecho do meio”

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.