A situação continua tensa no Oeste do Pará, onde há mais de uma semana madeireiros protestam contra a decisão do Ibama de suspender planos de manejo florestal em terras públicas ou com títulos de posse irregulares. A iminência de confrontos à beira da BR-163 – que continua bloqueada próximo à cidade de Novo Progresso – levou a vice-governadora do Pará, Valéria Pires Franco, a liberar 150 mil reais para a reconstrução de duas pontes da BR-163 destruidas pelos madeireiros.
Essa foi a primeira e até agora única ação tomada pelo poder público em relação aos protestos. Ela aconteceu no dia, quinta-feira, 3 de fevereiro, em que lideranças dos madeireiros e autoridades do Ibama se reuniram na sede do ministério do Meio Ambiente, em Brasília, para tentar aparar suas diferenças. O encontro, marcado para às 14 horas, começou com duas horas de atraso e pelo que dizia a assessoria de imprensa da ministra Marina Silva, deveria ir noite adentro. Isso se a conversa criar um mínimo de entendimento entre as partes.
Se a governadora em exercício do Pará acha que a liberação do dinheiro ajudaria a acalmar os ânimos na área de Novo Progresso, pelo que diz o prefeito de Novo Progresso, Tony Gonçalves (PPS), ela está redondamente enganada. Ele, inclusive, teme a intensificação do movimento contra a suspensão dos planos de manejo. “Os madeireiros ameaçam incendiar prédios públicos, inclusive a sede da administração municipal e disseram que vão explodir um caminhão carregado de cianeto de sódio – substância extremamente tóxica – que está parado na estrada”, afirmou.
Desde ontem a energia elétrica está racionada no município e a previsão é de que o óleo diesel utilizado na usina de luz local dure até domingo. Os mercados não foram reabastecidos e as agências bancárias passaram a semana toda fechadas. Para piorar o drama de Novo Progresso, está chovendo torrencialmente na região. Isso significa que a BR-163, mesmo depois de reaberta, estará em condições horrorosas de tráfego.
A imprensa local está, obviamente, focada na cobertura do assunto. A Folha do Progresso de Novo Progresso, francamente favorável aos madeireiros, jura que o bloqueio da BR-163 teve o apoio das Câmaras de Vereadores de 22 municípios da região. A Notícia, do Norte do Mato Grosso, informa que as lideranças madeireiras das cidades de Peixoto de Azevedo e de Matupá, ambos na região da BR-163, vão unir forças, descer em direção à Cuiaba, capital do estado, e efetuar o bloqueio do trevo do Lagarto, onde começa a estrada.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
“É um retrocesso inimaginável” afirma Capobianco a ofensiva no Congresso contra fiscalização ambiental
MMA, Ibama e ICMBio alertaram para riscos de propostas que restringem embargo remoto, reduzem proteção a espécies e ameaçam unidade de conservação na Amazônia →
Um córrego que desafia o concreto de São Paulo
Como a insistência de um homem em plantar mais de 40 mil árvores transformou o córrego Tiquatira no maior parque linear de São Paulo. →
Entre animais e motosserras: os desafios do resgate de fauna em obras licenciadas
Rotina em campo revela as dificuldades enfrentadas por equipes que atuam no resgate de animais silvestres em obras licenciadas de linha de transmissão →

