Salada Verde

A enrolada proteção do Cerrado

Bioma perdeu 18,9 mil Km2 entre 2003 e 2007. Governo, ongs e universidade fecharão acordo para o seu monitoramento. Sistema começa a ser implementado daqui a três meses.

Salada Verde ·
24 de setembro de 2008 · 18 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Amanhã, em Goiânia (GO), governo, as organizações não-governamentais The Nature Conservancy e Conservação Internacional e a Universidade Federal de Goiás (UFG) apresentarão dados que registram 18.900 quilômetros quadrados desflorestados no Cerrado entre 2003 e 2007. Os números são indicativos, obtidos com imagens de menor resolução.

A área é semelhante a 16 cidades do Rio de Janeiro e ao que a Amazônia perdeu entre agosto de 2004 e agosto de 2005. Pode parecer pouco, mas, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Cerrado tem cerca de 2 milhões de Km2, enquanto a Amazônia possui pouco mais do que o dobro de sua área.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Na ocasião, essas entidades fecharão uma parceria para que o bioma seja eletronicamente vigiado, de início nos moldes do Deter, já usado na Amazônia, possibilitando a emissão de alertas sobre os principais focos de destruição. O sistema, no entanto, começa a ser montado daqui a três meses. Será o primeiro passo para que, em futuro incerto, o Cerrado tenha um monitoramento por satélite de grande precisão, como o Prodes, que acompanha há mais de duas décadas as derrubadas na floresta tropical.

É o Cerrado, principal alvo do avanço do agronegócio nas últimas décadas e bioma ainda não reconhecido como patrimônio nacional, começando a vislumbrar um sistema de monitoramento para suas perdas de vegetação. Os dados estarão disponíveis na página do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento da UFG.

Tão arrastado quanto o início da vigilância informatizada é a tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 53/2001, do senador Demóstenes Torres (DEM/GO). O texto dá status de patrimônio nacional ao Cerrado e à Caatinga. Está quase tudo pronto para a votação no plenário da Câmara. No entanto, o presidente da casa, deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP), arrasta tudo com a barriga, sob pressão de parlamentares ruralistas. Agora, só um difícil acordo de lideranças ou uma pressão externa muito forte para liberar aquelas engrenagens.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
7 de outubro de 2026

Agricultura familiar do PA mira além da rastreabilidade e dá fôlego à Pecuária Sustentável

Pequenos pecuaristas aproveitam programa do governo que obriga identificação individual do gado para ampliar repertório de manejo e gestão, colhendo resultados na preservação ambiental →

Colunas
7 de outubro de 2026

Expedições percorrem a costa brasileira para estudar a biodiversidade marinha

Dados coletados em cruzeiros científicos sinóticos na Amazônia Azul permitirão cruzar informações de norte a sul da costa brasileira →

Podcast
7 de outubro de 2026

A Natureza da Conversa #3 – A revolução regenerativa na produção de commodities

Episódio do podcast desconstrói o mito de que a agricultura regenerativa é restrita a pequenas produções e mostra sua aplicação em commodities em larga escala →

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.