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Desmatador mais verde no Amazonas

Quarto maior desmatador do estado do Amazonas, município de Apuí ganha projeto de reflorestamento e atua com incentivos financeiros a pecuaristas.

Salada Verde ·
12 de junho de 2009 · 17 anos atrás
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Produtores rurais de Apuí, município com o segundo maior rebanho de gado do estado e apontado como o quarto que mais desmata no Amazonas, poderão reflorestar áreas desmatadas em suas propriedades. Basta boa vontade. Isso porque o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam) fechou parceria com a prefeitura de lá para implementar o projeto Apuí Mais Verde, lançado no último final de semana.

O projeto prevê mecanismos de incentivo técnico e econômico para convencer produtores a reflorestarem suas áreas degradadas, usando como lógica a compensação pelos ganhos ambientais do reflorestamento. Desde 2007, o Idesam busca implementar trabalhos como este no município amazonense. No entanto, segundo Mariano Cemano, diretor-executivo do Instituto, até a mudança na direção municipal, o Idesam não conseguia acesso à prefeitura, quanto mais às associações de pecuaristas, voltados exclusivamente para benefício das práticas de criação de gado.







Além disso, havia o entrave da irregularidade fundiária que, de acordo com Cemano, atinge a maioria das fazendas de Apuí, que somam no mínimo 2.500 propriedades rurais. Por isso, o projeto está atrelado a outra iniciativa do Idesam, o Pacto pelo Desmatamento Zero e Uso Sustentável das Florestas no município. “A idéia é que o Apuí Mais Verde sirva de gatilho para dispararmos esse projeto maior, que prevê também a regularização fundiária”, explica Cemano.

Para participar do programa, os produtores interessados deverão se cadastrar na Secretaria Municipal de Meio Ambiente até 30 de julho. Depois, as propriedades serão vistoriadas e mapeadas para verificar se realmente estão aptas a participar do projeto.

A meta inicial é reflorestar 1.500 hectares com espécies nativas, como jatobá, ipê e castanha, até o fim do ano que vem. Além de fornecer mudas, adubo e assistência técnica para o plantio e manutenção dos reflorestamentos, o projeto prevê o pagamento anual de R$ 80,00 por hectare reflorestado. O valor foi acordado em oficinas com produtores e entidades ligadas à produção rural. Atualmente, a pecuária gera renda de 60 reais por hectare ao ano no município.

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