Aves européias associadas a campos e áreas abertas estão em declínio com a substituição de técnicas agrícolas tradicionais pela agricultura industrial. O problema está associado a mudanças no calendário de colheita e no declínio do pousio, que resulta em campos sendo colhidos quando as aves estão nidificando e na conversão em terra nua de áreas que antes forneciam alimento a elas durante o inverno.
O resultado é que aves antes abundantes como o trigueirão (Miliaria calandra) se tornaram muito mais raras, esta tendo declinado quase 90% no Reino Unido nos últimos 40 anos. Uma surpresa foi o encontro de uma população de 700 delas em uma propriedade em Bedfordshire, hoje a feliz hospedeira de 4% da população da espécie no país. A razão está na atitude do proprietário, Steve Bumstead.
“Estou atônito pela excitação que este achado causou. Mas sempre fiz coisas para a vida selvagem na fazenda, como deixar restos de colheita de cevada no campo. Para mim é rotina. Eu acredito que os fazendeiros são os guardiões do campo e se há algo que podemos fazer para beneficiar a vida selvagem, então devemos fazê-lo”, disse em nota do RSPB.
No Reino Unido, produtores agrícolas recebem compensações financeiras do governo caso deixem os restos de sua colheita nos campos durante parte do inverno, ao invés de ará-los, ou se semearem misturas de espécies que forneçam sementes usadas como alimento pelas aves durante este período.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Depois de 100 anos, ciência identifica nova espécie de felino na Bolívia
Animal batizado de “tilcayo” se assemelha a um gato-do-mato, mas prossegue rodeado de mistérios. É o primeiro felino descoberto desde o gato-do-pampa, em 1923 →
Quem faz a coexistência entre pessoas e fauna silvestre acontecer?
Por que precisamos reconhecer, formar e apoiar gestores e gestoras de coexistência e entender seu papel na conservação de espécies em conflito com moradores →
Ariranhas em risco: como conciliar conservação e turismo de observação?
O Pantanal se consolida como destino mundial de observação de fauna, mas o crescimento do turismo ainda ocorre sem diretrizes e políticas claras →
