“Frustrado” foi a palavra que Gilberto Câmara usou para definir seu estado de espírito. Diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), uma das mais renomadas instituições cientifícas brasileiras, o engenheiro decidiu pedir demissão de seu cargo.
Inicialmente indicado para um mandato com duração até 2013, Câmara entregou uma carta ao ministro de Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, pedindo que um comitê de busca seja instalado e defina a substituição da chefia do INPE até o fim deste ano.
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Ele falou com ((o))eco na manhã de ontem e disse que sua decisão é definitiva. “Estou frustrado com a falta de renovação nos quadros do INPE”, disse explicando qual foi a razão que o levou a pedir demissão. Segundo ele, existe um “desgaste” após 6 anos no cargo que o leva a abandonar o posto e voltar para a cadeira de pesquisador do instituto. “Não sei mais o que fazer para convencer o governo de que é preciso contratar pessoal no INPE. Há mais 10 anos que não há um novo concurso”, lamentou.
Não houve, disse Câmara, motivação política em sua saída. Ele nega que divergências com o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Raupp, teriam sido o estopim de sua decisão.
O engenheiro garante que as mudanças na direção do INPE não afetam programas de lançamento de novos satélites, como o Amazônia 1 – que vai melhorar a vigilância do desmatamento – e o CBERS 3 – mais um da bem sucedida série de equipamentos feitos em parceria com os chineses. “O INPE tem uma tradição de continuidade de seus projetos mesmo depois da troca de diretores”, comenta .
Perguntei a ele, se seu anúncio de demissão poucas semanas antes do fechamento do número oficial do desmatamento seria mais do que mera coincidência. “Não há nenhum problema aí, as medições do desmatamento continuam ocorrendo normalmente”, afirmou. Nesta última quinta, o INPE divulgou o número do desmatamento em julho e até o fim dos ano divulga a taxa oficial, medida pelo programa Prodes.
Câmara é um ferrenho defensor da política de transparência de dados do desmatamento e, em 2008, envolveu-se em uma polêmica quando Blairo Maggi e até o próprio presidente Lula levantaram dúvidas sobre os números do desmatamento no Mato Grosso, que voltavam a subir segundo o INPE. Como resultado da disputa, o programa Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) passou a divulgar não mais apenas dados sobre corte razo na Amazônia, mas também sobre degradação florestal.
*Gustavo Faleiros com colaboração de Daniel Santini
Saiba mais
Site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE
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