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O Brasil tem o que ensinar: por um Deter global

A conferência Rio+20 terminou com a promessa de fortalecer o PNUMA. Que tal se ele provesse transparência global através do monitoramento dos biomas?

5 de julho de 2012 · 14 anos atrás
  • Gustavo Geiser

    Engenheiro agrônomo com mestrado em Agroecossistemas pela Universidade Federal de Santa Catarina, trabalha na Polícia Federal...

Um dos poucos ganhos da Rio+20 foi a promessa de fortalecer o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, conhecido em português pela sigla PNUMA. Havia a proposta de que ele se tornasse uma agência independente. Isso não aconteceu mas ficou a promessa de que seus poderes sejam aumentados e seu orçamento reforçado. Em suma, parece que ele foi promovido. No seu próprio site, o programa é descrito assim:

Estabelecido em 1972, o PNUMA tem entre seus principais objetivos manter o estado do meio ambiente global sob contínuo monitoramento; alertar povos e nações sobre problemas e ameaças ao meio ambiente e recomendar medidas para aumentar a qualidade de vida da população sem comprometer os recursos e serviços ambientais das futuras gerações.

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Que tal, então, se este órgão agora mais ambicioso criasse um sistema de monitoramento da cobertura vegetal genuinamente global?

Boa parte das nações não consegue (ou não quer) frear a destruição da vegetação nativa em seus territórios. Para que a sociedade civil possa fazer algo e para que os demais países, através dos mecanismos multilaterais, tenham poder de pressionar e exigir mudanças, é preciso um fluxo de dados que indique a situação dos ecossistemas de interesse. Sem isso, estamos à mercê da vontade política de cada governo de preservar ou não, independente dos anseios de seus próprios cidadãos ou do restante do mundo.

O Brasil é um exemplo de que a estratégia da transparência funciona. O sistema DETER, produzido mensalmente pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), desde 2004, permite que qualquer um acompanhe o desmatamento na Amazônia — para áreas maiores que 25 hectares. Esse sistema não informa apenas o governo brasileiro, mas qualquer um que se interesse por esses dados, evitando possíveis manipulações da informação bruta.

Produzido com o uso de satélites brasileiros e estrangeiros, com tecnologia desenvolvida pelo próprio INPE, é uma estrutura enxuta que fez uma enorme diferença no combate ao desmatamento, mesmo com as limitações de área mínima e de cobertura de nuvens (muitas áreas são visíveis apenas nos meses secos, quando as nuvens não impedem a tomada de imagens). Recomendo, a quem quiser, explorar o sistema DETER. Para isso, basta se cadastrar para receber os alertas e fazer consultas. Espero que em breve o Brasil disponibilize as mesmas informações, com periodicidade e transparência – e não apenas em relatórios – para os demais biomas, como o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica.

Tela do sistema Deter
Tela do sistema Deter
 
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