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34 bairros de Joinville (SC) ficam sem água após caminhão bater e derramar ácido em rio

Acidente com caminhão que levava matéria-prima de detergentes paralisa estação de tratamento que abastece 75% da cidade; prefeitura decreta estado de emergência

Gabriel Tussini ·
29 de janeiro de 2024 · 2 anos atrás
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Um derramamento de ácido sulfônico, produto utilizado na produção de detergentes, no rio Seco, em Joinville (SC), causou a interrupção do abastecimento de água em grande parte da cidade na manhã desta segunda (29). Um caminhão que carregava galões do produto perdeu o freio e se chocou com um barranco à beira da rodovia SC-418, próximo ao Mirante da Serra Dona Francisca, liberando a carga no rio. O motorista está estável, em observação e sem previsão de alta. A prefeitura da cidade decretou estado de emergência e interrompeu o funcionamento da Estação de Tratamento de Água (ETA) do rio Cubatão, que abastece 34 bairros da cidade, equivalente a cerca de 75% do consumo.

Imagens gravadas no rio Seco, afluente do Cubatão, mostram a grande quantidade de espuma que se formou com o produto, criando uma camada espessa a ponto de não se ver a água. A área está dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Serra Dona Francisca. A interrupção do funcionamento da ETA se deu às 10h, antes da espuma chegar ao rio Cubatão, evitando o fornecimento de água contaminada. “O fechamento foi justamente para que a substância não entrasse no nosso sistema de tratamento, garantindo assim que toda a água já tratada possa ser consumida normalmente”, frisou Adriano Silva (NOVO), prefeito da cidade.

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Um gabinete de crise foi formado na Companhia Águas de Joinville, empresa pública municipal de água e saneamento, para responder à emergência. O grupo, que conta com participação do prefeito, da vice Rejane Gambin (NOVO) e do major Ruy Florêncio Teixeira Júnior, comandante da Polícia Militar Ambiental do estado, decidiu pelo abastecimento de água em hospitais e postos de saúde com caminhões-pipa. A Águas de Joinville conduz análises laboratoriais para medir as condições de consumo da água do rio Cubatão.
De acordo com o major Teixeira Júnior, citado pela Agência Brasil, até o momento não foram detectados danos à fauna e à flora locais. Ele diz ainda que uma empresa terceirizada foi contratada para realizar a limpeza do local. “Como qualquer produto químico ele tem algum grau de toxidade, mas a Polícia Militar Ambiental não identificou até o momento alguma mortandade de peixes ou animais relacionados ao vazamento”, afirmou.

Apesar disso, o produto pode ser perigoso para seres humanos e organismos aquáticos. “Ele é corrosivo para os metais, ele tem toxicidade aguda oral, toxicidade aguda térmica, ele causa corrosão ou irritação à pele, causa lesões oculares graves ou irritação ocular e tem toxicidade aguda se for inalado”, explicou a engenheira química Millena da Silva Montagnoli, professora da Univille, em entrevista ao portal ND+.

Segundo as últimas atualizações da prefeitura, não há previsão para normalização no abastecimento, “por isso nós montamos um esquema com caminhões-pipa preparados para os atendimentos emergenciais, assim como também estamos dando prioridade no atendimento aos hospitais, às UPAs e às unidades básicas. A gente orienta a população de Joinville a fazer o racionamento de água”, afirmou o prefeito, citado pelo portal local SCC10. Os outros 25% da água consumida na cidade vem do rio Piraí, que segue com sua estação de tratamento funcionando normalmente.

  • Gabriel Tussini

    Estudante de jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), redator em ((o))eco e interessado em meio ambiente, política e no que não está nos holofotes ao redor do mundo.

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