Salada Verde

Tuvalu tenta levar ao Pacífico articulação internacional para fim dos fósseis

A proposta apresentada em Santa Marta busca transformar conferência paralela às COPs em articulação política por regras para reduzir petróleo, gás e carvão

Karina Pinheiro ·
29 de abril de 2026
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

A 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Além dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, contou com o anúncio de que Tuvalu pretende sediar, em 2027, uma segunda edição do encontro no Pacífico. A proposta busca dar continuidade à articulação política iniciada na Colômbia e ampliar a pressão por medidas concretas para acelerar a eliminação dos combustíveis fósseis.

O anúncio foi feito pelo ministro de Mudança do Clima e Meio Ambiente, Maina Vakafua Talia, durante a plenária de abertura. Em seu discurso, o representante do arquipélago afirmou que o impasse em torno da transição energética decorre menos da ausência de diagnósticos e mais da falta de ação dos países. Ao defender que o processo inaugurado em Santa Marta avance para além de compromissos políticos, Tuvalu propôs a construção de um novo instrumento internacional vinculante para coordenar a redução da oferta e da demanda por petróleo, gás e carvão.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



A proposta insere um componente geopolítico ao encontro, concebido justamente para operar fora do ritmo lento das negociações da Convenção do Clima da ONU. Ao sugerir o Pacífico como próxima sede, países insulares buscam consolidar uma frente política liderada por nações altamente expostas à crise climática e ampliar o debate sobre mecanismos internacionais para restringir a expansão fóssil.

Além de defender o avanço de um acordo internacional específico para combustíveis fósseis, Tuvalu cobrou prioridade para o corte de emissões de metano e respaldou uma transição baseada na justiça climática. O posicionamento foi apoiado por outros Pequenos Estados Insulares do Pacífico, além de representantes indígenas e organizações civis presentes na conferência.

“Os países poderosos e ricos têm poder aquisitivo para garantir seus lugares na Arca. Países como Tuvalu, com capacidade muito limitada, ficam à deriva, sem acesso à Arca”, discursou Maina Vakafua Talia.

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos. →

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
8 de fevereiro de 2024

‘Não se combate a crise climática injetando dinheiro em combustíveis fósseis’

Sandra Guzmán, fundadora do Grupo de Financiamento Climático para a América Latina e o Caribe, fala ao Diálogo Chino sobre os desafios regionais para financiar as ações contra as mudanças climáticas →

Notícias
15 de maio de 2024

Bancos investiram quase 7 tri de dólares em fósseis desde Acordo de Paris

Enquanto financiamento climático patina, US$ 705 bilhões foram injetados em energia suja apenas no ano passado, mostra relatório →

Salada Verde
28 de abril de 2026

Ato em Santa Marta cobra fim da exploração de combustíveis fósseis

Marcha reúne moradores, povos indígenas e movimentos sociais durante conferência internacional sobre transição energética; Veja fotos →

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.