A 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Além dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, contou com o anúncio de que Tuvalu pretende sediar, em 2027, uma segunda edição do encontro no Pacífico. A proposta busca dar continuidade à articulação política iniciada na Colômbia e ampliar a pressão por medidas concretas para acelerar a eliminação dos combustíveis fósseis.
O anúncio foi feito pelo ministro de Mudança do Clima e Meio Ambiente, Maina Vakafua Talia, durante a plenária de abertura. Em seu discurso, o representante do arquipélago afirmou que o impasse em torno da transição energética decorre menos da ausência de diagnósticos e mais da falta de ação dos países. Ao defender que o processo inaugurado em Santa Marta avance para além de compromissos políticos, Tuvalu propôs a construção de um novo instrumento internacional vinculante para coordenar a redução da oferta e da demanda por petróleo, gás e carvão.
A proposta insere um componente geopolítico ao encontro, concebido justamente para operar fora do ritmo lento das negociações da Convenção do Clima da ONU. Ao sugerir o Pacífico como próxima sede, países insulares buscam consolidar uma frente política liderada por nações altamente expostas à crise climática e ampliar o debate sobre mecanismos internacionais para restringir a expansão fóssil.
Além de defender o avanço de um acordo internacional específico para combustíveis fósseis, Tuvalu cobrou prioridade para o corte de emissões de metano e respaldou uma transição baseada na justiça climática. O posicionamento foi apoiado por outros Pequenos Estados Insulares do Pacífico, além de representantes indígenas e organizações civis presentes na conferência.
“Os países poderosos e ricos têm poder aquisitivo para garantir seus lugares na Arca. Países como Tuvalu, com capacidade muito limitada, ficam à deriva, sem acesso à Arca”, discursou Maina Vakafua Talia.
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