Notícias

Equador anuncia criação de uma nova reserva marinha na região de Galápagos

Em anúncio feito na COP-26, o presidente equatoriano Guillermo Lasso anunciou a criação de uma nova área protegida com 60 mil quilômetros quadrados

Marcio Isensee e Sá ·
1 de novembro de 2021 · 4 anos atrás

Charles Darwin estaria feliz no dia de hoje com o anúncio feito pelo presidente do Equador, Guillermo Lasso, na COP-26, se comprometendo a criar uma Reserva Marinha na região de Galápagos, com 60 mil Km2. Em coletiva de imprensa ao lado do ministro do Meio Ambiente, Lasso destacou a rica biodiversidade do país e do arquipélago: “Galápagos é um tesouro nacional que deve ser protegido por sua riqueza natural para o planeta”. O presidente também detalhou como será essa nova reserva: “ [serão] 30 mil km2 de zona de não produção pesqueira e 30 mil km2 de zonas de No longline [proibindo pesca de espinhel]”.

O arquipélago das ilhas Galápagos se localiza no Oceano Pacífico a uma distância de 1.000 km da costa do Equador. É um grande laboratório vivo de biologia do mundo e habitat de uma biodiversidade única, com abundância de espécies endêmicas. Somando as unidades de conservação já existentes (Parque Nacional de Galápagos e Reserva Marinha Galápagos) à recém anunciada unidade, são mais de 200 mil quilômetros quadrados de área protegida na região. 

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Para José Truda, especialista em conservação marinha e membro da Coalizão + Galápagos, o anúncio é muito importante dada a relevância regional para espécies migratórias: “Galápagos vem sendo acossada pelas frotas pesqueiras chinesas, e isso é uma resposta direta para proteger principalmente as espécies de tubarão na região”. Para Truda, o próximo e importante passo seria a criação de uma área protegida internacional (algo sem precedentes) e as discussões avançam sobre o projeto Migravia Cocos-Galapagos-Malpelo: “A ideia seria ligar o Parque Nacional da Ilha de Coco [na Costa Rica], a Reserva Nacional Marinha de Galápagos [no Equador] e a Reserva Marinha de Malpelo [na Colômbia] através da proteção das águas internacionais entre eles. Tem também uma proposta de agregar o Panamá através do Parque Nacional Coíba”.

Trocando dívida por conservação

O Primeiro Ministro britânico Boris Johnson e António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, cumprimentam Guillermo Lasso, Presidente do Equador, na Cúpula de Líderes Mundiais da COP26. Foto: Karwai Tang / UK Government

Durante o anúncio, o presidente Guillermo Lasso afirmou que irá utilizar um mecanismo de troca de dívida por conservação. A troca de dívida é um sistema lançado na década de 1980 com o objetivo de promover atividades de conservação da natureza em países em desenvolvimento. Consiste basicamente no cancelamento de parte da dívida externa de um país, ou financiamento a um preço menor, em troca de iniciativas de conservação ambiental. “Essa decisão do Equador [de criar a Reserva Marinha] provocará que se realizem propostas financeiras por ‘troca de dívida por conservação’. Esperamos que seja a maior operação neste modelo da história”, afirmou Lasso. 

Para José Truda, a criação da área protegida está garantida independentemente da execução da troca de dívida. “Na década de 1990 a Costa Rica criou esse mesmo mecanismo, Seicheles fez da mesma forma.O Equador deve buscar recursos próprios iniciais para a criação da reserva. O mecanismo de troca de dívida é um incentivo e parte do recurso vai ser investido na conservação”.

Brasil poderia fazer anúncios para Conservação Marinha

O Brasil possui uma extensa costa e, consequentemente, Zona Econômica exclusiva (ZEE). Em 2018, com a criação de um mosaico composto por duas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e dois Monumentos Naturais (MONA), o país aumentou sua cobertura de áreas protegidas marinhas na ZEE de 1,5% para 25%. Mesmo assim, José Truda acredita que estamos perdendo uma grande oportunidade de avançar na proteção dos biomas marinhos e que poderíamos apresentar nesta COP projetos de criação e expansão de UCs: “O Brasil poderia também brilhar na COP, anunciando a ampliação muito necessária do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, que hoje só cobre em torno de 1,8% de todo o banco dos Abrolhos, uma área importante para os recifes de coral. O outro anúncio possível seria do Parque Nacional do Albardão, cujo processo está correndo no ICMBio, para a criação de uma UC de aproximadamente 1 milhão de hectares na divisa do Brasil com Uruguai, onde existem áreas de reprodução e alimentação de muitas espécies marinhas ameaçadas de extinção e vulneráveis”, defende.

  • Marcio Isensee e Sá

    Marcio Isensee e Sá é comunicador e gestor de conteúdo, especializado em jornalismo e audiovisual socioambiental. Atua na lid...

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
8 de março de 2020

Governo não pretende criar nenhuma unidade de conservação, diz presidente do ICMBio

Em entrevista à TV Brasil, Homero de Giorge Cerqueira confunde conceitos, erra números e demonstra que ainda não entendeu o tamanho da missão do órgão que preside

Reportagens
26 de outubro de 2021

De olho na COP-26, governo lança Programa de Crescimento Verde

Especialistas classificam iniciativa como vazia e retórica. Com desmatamento em alta e falta de políticas de controle, Brasil não terá nada de relevante para levar a Glasgow

Salada Verde
10 de novembro de 2020

Bolsonaro volta a reclamar sobre a dificuldade de acabar com a Estação Ecológica de Tamoios

No mesmo discurso onde ameaçou “mostrar a pólvora” para os EUA, presidente reclama de leis ambientais e se vangloria de ter acabado com as multas do Ibama e ICMBio

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Comentários 1