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O Eco+ | Edição #287 | abril/2026

O Eco+ | Edição #287 | abril/2026

12 de abril de 2026

Comunidades tradicionais e cangas ferruginosas, uma formação rochosa rara do Cerrado, foram excluídas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Córregos dos Vales do Norte de Minas. A unidade de conservação proposta inicialmente com o nome RDS Córregos Tamanduá-Poções-Peixe Bravo cobriria aproximadamente 70 mil hectares do norte de Minas Gerais, mas foi reduzida a 40,8 mil hectares. Lá, estão uma comunidade quilombola, comunidades geraizeiras e as famosas cangas ferruginosas, crostas rochosas compostas por óxidos e hidróxidos de ferro e de alumínio. A exclusão foi resultado direto da pressão de mineradoras, como a gigante Vale, prefeitos, parlamentares e o Ministério de Minas e Energia. Duda Menegassi, de ((o))eco e Daniel Camargos, da Repórter Brasil, revelam como a mineração e o setor da silvicultura, que explora eucalipto na região, atuaram em Brasília para impedir que o Vale do Rio Peixe Bravo se tornasse uma área protegida. De acordo com relatos de prefeitos da região, a gigante da mineração teria informado que planeja investir até R$ 70 bilhões na criação de um novo polo minerário no norte de Minas. A suposta promessa, relatada por Ricardo Paz (PL), mandatário de Riacho dos Machados, conquistou o apoio de boa parte da classe política local, que atuaram pela exclusão da área na RDS criada agora em março.

O colunista Carlos Bocuhy faz um paralelo entre o acidente do Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987 e atualmente em evidência por causa de uma série na Netflix, com a política do risco invisível no Brasil. Segundo o autor, o Brasil convive com uma contradição inquietante: enquanto acumula experiência histórica sobre poluição e desastres tecnológicos, continua reproduzindo padrões que ampliam riscos invisíveis à população, que vai de casos como a contaminação química que assolou o Recanto dos Pássaros em Paulínia, onde a contaminação por poluentes orgânico-persistentes devastou uma comunidade de pequenas chácaras às margens do rio Atibaia, o do pó-da-China de Cubatão, quando toneladas de substâncias tóxicas foram descartadas na área continental da cidade de Santos, a das inúmeras contaminações por mercúrio, que atingem principalmente as populações indígenas amazônicas. “A contínua liberação do uso de agrotóxicos já banidos no exterior, o uso de mercúrio no garimpo ilegal e a poluição da água e do ar não são fatos para exemplificar ou  simbólicos – são parte de um processo estrutural”, afirma.

Repensar algo tão cotidiano quanto o destino do esgoto pode ser chave para enfrentar alguns dos maiores desafios ambientais do Brasil. Em ‘Está na hora de transformar a merda em adubo, literalmente’, a engenheira florestal Danielle Celentano convida o leitor a enxergar o saneamento básico sob uma nova perspectiva, em que o conecta à restauração ecológica e à regeneração de solos degradados. Em vez de tratar o esgoto apenas como um problema invisível que desaparece ao apertar a descarga, a autora revela seus impactos reais na saúde, nos rios e nos ecossistemas, ao mesmo tempo em que aponta seu potencial como fonte de nutrientes valiosos. “Talvez o maior bloqueio ainda seja cultural, enraizado em uma cosmovisão linear que enxerga o esgoto como fim, e não como parte de um ciclo natural. Transformar esgoto em recurso exige tecnologia e regulação, mas, antes de tudo, uma mudança de mentalidade. E ela é urgente se queremos, de fato, sair da merda”, argumenta.


Boa leitura!

Redação ((o))eco

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Está na hora de transformar a merda em adubo, literalmente

Integrar saneamento e restauração não é apenas uma inovação técnica, é uma mudança de paradigma. Significa criar cadeias produtivas baseadas na circularidade

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· Conservação no Mundo ·

Copo vazio. Dados do Banco de Dados Mundial de Áreas Protegidas e Conservadas (WDPCA) indicam que mais de 10% do oceano já está protegido, marcando um marco significativo para os esforços de conservação oceânica. Com a meta global de proteger 30% do oceano até 2030, especialistas alertam que os esforços precisam ser acelerados drasticamente: uma área aproximadamente do tamanho do Oceano Índico precisa ser protegida nos próximos quatro anos para atingir a meta. [Mongabay]

Deixa florescer. O biólogo David George Haskell argumenta que as plantas com flores são muito mais do que elementos decorativos, elas são “criadoras de mundos” que moldaram profundamente a vida na Terra. Em seu livro How Flowers Made Our World, ele explica como essas plantas impulsionaram a evolução de novos ecossistemas ao influenciar o desenvolvimento de inúmeras espécies, incluindo polinizadores e outros organismos que dependem delas. (E360Yale)

· Dicas Culturais ·

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Politizando o clima: o mecanismo REDD | Le Monde diplomatique

O episódio especial do projeto “Politizando o clima: poder, territórios e resistências” coloca em debate os riscos e impactos do REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), um dos principais mecanismos do mercado de créditos de carbono. Para entender como funciona essa estratégia e qual é o alcance das iniciativas no Brasil, o jornalista Luís Brasilino conversa com a professora Fabrina Furtado (CPDA/UFRRJ), do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) da UFRRJ, e pesquisadora do Coletivo Desigualdade Ambiental, Economia e Política.

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Proteção do Meio Ambiente no Sistema Interamericano de Direitos Humanos | Roniclay Alves de Morais

A obra explora a relação entre meio ambiente e direitos humanos, mostrando como desastres ambientais expõem falhas institucionais e desafiam a proteção jurídica internacional. É uma leitura importante para quem quer entender o tema ambiental como um direito fundamental.

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Berço Esplêndido: Como Vendemos o Paraíso por um Punhado de Dólares |  Daniele Fumachi


Um ensaio narrativo com forte tom crítico e literário sobre o colapso ambiental brasileiro. A autora mistura reflexão ecológica, ironia e narrativa para discutir como o Brasil lida com a destruição de seus biomas, transformando o tema ambiental em uma espécie de crônica expandida do país contemporâneo.

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