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Pesquisa expõe risco de extinções em cascata entre morcegos e parasitas

Estudo aponta que espécies de moscas ectoparasitas correm risco de desaparecer junto com seus hospedeiros ameaçados

Karina Pinheiro ·
5 de junho de 2026
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A extinção de morcegos ameaçados no Brasil pode desencadear uma perda de biodiversidade que hoje passa despercebida pelas políticas de conservação. Um estudo publicado na revista Animal Conservation aponta que o desaparecimento de determinadas espécies de morcegos pode levar à coextinção de moscas ectoparasitas que dependem exclusivamente desses animais para sobreviver.

O fenômeno, conhecido como coextinção, ocorre quando a extinção de uma espécie provoca o desaparecimento de outra que mantém uma relação de dependência ecológica. Embora seja reconhecido pela ciência, o processo raramente é considerado em listas oficiais de espécies ameaçadas.

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A pesquisa analisou as relações entre 106 espécies de moscas ectoparasitas das famílias Streblidae e Nycteribiidae e 182 espécies de morcegos registradas no país. Os resultados mostram um elevado grau de especialização: 64% das espécies de moscas estão associadas a apenas uma espécie de morcego, enquanto 33% dos morcegos avaliados mantêm relações exclusivas com seus parasitas.

Segundo os autores, essa dependência torna as moscas particularmente vulneráveis às ameaças enfrentadas pelos hospedeiros. O estudo identificou espécies de morcegos cuja extinção poderia provocar a perda simultânea de até cinco espécies de moscas ectoparasitas.

A pesquisa também aponta que pelo menos quatro espécies de moscas já enfrentam risco concreto de coextinção, uma vez que seus morcegos hospedeiros constam nas listas brasileiras de espécies ameaçadas. Apesar disso, os insetos não recebem qualquer proteção específica nem são considerados em avaliações oficiais de risco.

Os pesquisadores destacam que a situação observada entre morcegos e moscas ectoparasitas pode estar ocorrendo em diversos outros grupos da fauna. O Brasil possui atualmente mais de 1.250 espécies ameaçadas de extinção, e muitas delas mantêm relações ecológicas altamente especializadas com outras espécies.

Para os autores, a conservação da biodiversidade precisa considerar não apenas as espécies individualmente, mas também as interações que sustentam os ecossistemas. Ignorar essas relações pode levar à subestimação dos impactos reais causados pela perda de espécies, especialmente aquelas menos conhecidas pela ciência e pela sociedade.

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

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