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Copa de 2026 será disputada sob calor agravado pelas mudanças climáticas, aponta estudo

Levantamento aponta que o aquecimento global aumentou o risco de calor extremo em 97 dos 104 jogos da Copa do Mundo de 2026, dos EUA, México e Canadá

Karina Pinheiro ·
9 de junho de 2026
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A Copa do Mundo de 2026, a primeira da história com 48 seleções e 104 partidas, deverá ser disputada em um cenário climático mais hostil do que qualquer edição anterior realizada na América do Norte. Um estudo divulgado pela organização científica Climate Central aponta que as mudanças climáticas provocadas pela ação humana aumentaram a probabilidade de calor intenso em 97 dos 104 jogos previstos para o torneio.

Entre as partidas mais expostas ao calor está o confronto entre Uruguai e Espanha, marcado para 26 de junho, em Guadalajara, no México. O estudo estima 70% de probabilidade de ocorrência de calor capaz de prejudicar o desempenho dos atletas, sendo que 37 pontos percentuais desse risco são atribuídos diretamente às mudanças climáticas.

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O problema não se limita aos jogadores. Pesquisadores alertam que milhões de torcedores também estarão expostos ao calor extremo durante o torneio. Estudo do grupo científico World Weather Attribution estima que cerca de um quarto das partidas poderá ocorrer sob condições que ultrapassam os limites de segurança recomendados pelo sindicato internacional dos jogadores, a FIFPRO. Em aproximadamente cinco jogos, os níveis de estresse térmico poderiam justificar adiamentos por questões de segurança.

Os riscos aumentam porque a maioria dos estádios da Copa é aberta. Apenas três arenas localizadas em Atlanta, Dallas e Houston, possuem climatização completa. Já cidades como Miami, Guadalajara, Houston e Cidade do México figuram entre as sedes com maior frequência de dias extremamente quentes durante os meses de junho e julho.

Diante desse cenário, a FIFA anunciou medidas de mitigação, incluindo pausas obrigatórias para hidratação em todas as partidas, áreas de resfriamento para torcedores e protocolos de monitoramento térmico. A entidade também informou que poderá adotar ações adicionais conforme as condições climáticas em tempo real.

Estudos recentes indicam que o aumento das temperaturas, impulsionado pelas mudanças climáticas, pode exigir adaptações cada vez mais frequentes nos calendários, horários e locais de disputa. Para pesquisadores, a Copa de 2026 servirá como um teste sobre a capacidade do futebol mundial de lidar com uma realidade climática em transformação, na qual eventos de massa passam a conviver com riscos crescentes associados ao calor.

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

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