Os alagamentos do adequadamente nomeado Jardim Pantanal, em São Paulo, mostram a imbecilidade da expansão urbana para dentro das várzeas dos rios. O que poderia ter sido prevenido, se leis fossem obedecidas, agora custará os tubos aos contribuintes que terão que bancar a remoção de famílias que, para começo de conversa, nunca deveriam ter construído suas casas na várzea do rio Tietê.
Não ocupar áreas de várzeas para evitar estragos como os do Jardim Pantanal e outros que estamos vendo Brasil afora não é uma estratégia cujo acerto demande grande poder intelectual, e a desocupação de várzeas ocupadas ou isoladas por diques é um trabalho em andamento em países que sofreram cheias catastróficas, como a Alemanha.
Estudo publicado na revista Science por pesquisadores norte americanos advoga que as várzeas devem ser o que deveriam ser, áreas de inundação sazonal, como forma de evitar os estragos resultantes de cheias que deverão piorar graças às mudanças climáticas. Os serviços fornecidos por áreas que evitam a inundação de regiões urbanizadas e terras agrícolas podem ser a base de um mercado que pague pela desocupação e manejo daquelas.
Enquanto isso, no Brasil, ruralistas, mineradoras de areia e os empresários da favelização batem firme para que as várzeas continuem a ser ocupadas e todos paguem o pato.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Muito além do mel: publicação revela o conhecimento dos Awa Guajá sobre as abelhas
Hai rawirokaha pape rehe (Livro do Mel) lista 49 espécies de abelhas a partir da classificação e vivência do povo indígena Awa Guajá, revelando a complexidade das relações entre mel, floresta e espiritualidade →
Onde o Sol sempre esteve, mas a luz ainda não
Novo decreto do Luz para Todos ouve as comunidades locais e inclui sociobiodiversidade e moradores treinados em sua prática →
As tentativas de desmonte do monitoramento remoto capazes de frear o combate ao desmatamento no Brasil
Iniciativas recentes buscam minar a confiança construída ao longo de anos nos sistemas de verificação de ilícitos à distância →

