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Tuberculose mata três macacos no Cetas-RJ; centro está em quarentena

Confirmação da doença que levou a óbito macacos-pregos no Cetas de Seropédica leva Ibama a estender suspensão no recebimento de novos animais

Duda Menegassi ·
3 de julho de 2026

Três macacos-pregos mantidos no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Seropédica (RJ) morreram de tuberculose. O diagnóstico confirmado da doença infecciosa – que é transmitida pelo ar – acendeu o alerta vermelho do Ibama, que fechou preventivamente as portas do centro para o recebimento de novos animais. O órgão ambiental destaca que não há registro de infecção ou morte por tuberculose em outras espécies mantidas na unidade.

De acordo com a Superintendência do Ibama do Rio de Janeiro (Supes-RJ), a morte dos macacos-pregos (Sapajus sp.) ocorreu em maio, quando os três primatas vieram a óbito num curto intervalo de tempo. Um protocolo sanitário foi adotado preventivamente, a partir de 18 de maio, já suspendendo a entrada e saída de animais. As necrópsias iniciais  levantaram a suspeita de tuberculose (Mycobacterium spp.), confirmada nos exames laboratoriais posteriores realizados com o apoio da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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Com o diagnóstico confirmado, a quarentena do centro foi prorrogada por 45 dias, “podendo ser interrompido antes do prazo ou novamente prorrogado, conforme os resultados das medidas sanitárias e das avaliações técnicas”. Todas as atividades de soltura de fauna silvestre também estão suspensas e o acesso de visitantes foi restringido.

O órgão ambiental ressalta ainda que os primatas acometidos eram vítimas do tráfico de animais silvestres, contexto que aumenta o risco de transmissão de doenças. Um deles foi resgatado em Petrópolis e encaminhado ao CETAS pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), outro foi apreendido pela Polícia Federal em Mangaratiba e o terceiro foi recolhido pela Polícia Rodoviária Federal em Piraí.

“Embora ainda não seja possível determinar com precisão quando ocorreu a infecção, a investigação epidemiológica indica que um dos animais provavelmente ingressou na unidade já contaminado, possivelmente entre os anos de 2024 e 2025, transmitindo posteriormente a bactéria a outros indivíduos suscetíveis”, esclarece a nota da SUPES-RJ.

A Superintendência informa ainda que foram implementadas medidas de biossegurança e vigilância epidemiológica como o reforço do uso obrigatório de equipamentos de proteção individual, incluindo máscaras N95; reorganização das rotinas de manejo para reduzir o número de pessoas em contato direto com os animais; intensificação dos procedimentos de limpeza, desinfecção e gerenciamento de resíduos; e testagem e avaliação médica de cerca de 50 servidores e colaboradores da unidade, com apoio da Prefeitura de Seropédica e da Secretaria Municipal de Saúde. 

Não houve nenhum caso confirmado de tuberculose entre os profissionais. Nesta quinta-feira (2), foi iniciada a testagem clínica de todos os 51 primatas mantidos no Cetas-RJ. 

A medida representa uma nova etapa da investigação epidemiológica e permitirá avaliar individualmente cada animal, identificar precocemente eventuais infecções e subsidiar as próximas decisões técnicas sobre a evolução da quarentena sanitária. Os resultados serão analisados pelas equipes técnicas do Ibama em conjunto com as instituições parceiras responsáveis pelo acompanhamento da investigação”, detalha a nota do Ibama.

Atualmente, o Cetas-RJ abriga 989 animais silvestres. Além dos 51 primatas, há 503 aves, duas onças-pardas (Puma concolor) e outros mamíferos e répteis. Em nota, o Ibama informou que todos os animais permanecem sob monitoramento clínico contínuo.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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