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Vitória de Lula é celebrada por organizações socioambientais

Combate ao desmatamento e à crise climática embalam posicionamento de organizações que celebraram a reeleição do presidente, e derrota de Flávio Bolsonaro

Duda Menegassi ·
26 de outubro de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com uma vitória inédita nas urnas neste domingo (25), ao virar o resultado do 1º turno e chegar ao seu quarto mandato na cadeira mais alta do Executivo nacional. A vitória do petista foi celebrada por organizações socioambientais como Greenpeace Brasil, WWF-Brasil e Observatório do Clima, que citam redução do desmatamento, defesa da biodiversidade brasileira e combate às mudanças climáticas. As organizações destacam ainda a importância da mobilização popular para continuar a vigilância e cobrança a projetos prejudiciais ao meio ambiente.

“A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva importa para o mundo todo, pois fortalece regimes democráticos, mantém o compromisso com a Amazônia protegida e com o combate às mudanças climáticas e se soma a outros governos que já entenderam o risco que as Big Techs oferecem à soberania e aos processos eleitorais dos países”, afirma a diretora executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali. 

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Apoiado em resultados como o menor patamar de desmatamento da Amazônia, alcançado em 2026, e o enfrentamento da crise climática, a agenda ambiental foi uma das bandeiras usadas por Lula na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL) que, por sua vez, traz um currículo de ações anti-ambientais, além do legado de desmonte promovido no governo do pai. 

“A conservação da natureza é condição indispensável para o futuro do país”, avaliou a WWF-Brasil em nota. A organização aponta que a vitória de Lula “abre uma oportunidade para fortalecer a agenda socioambiental, aprimorar políticas públicas e conciliar desenvolvimento econômico, inclusão social e proteção ambiental”.

Durante a campanha, lideranças socioambientais e indígenas, como Ailton Krenak, manifestaram seu apoio à Lula, que tinha ainda ao seu lado a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

O Observatório do Clima (OC) disse que a vitória de Lula “evita tragédia”, mas reforçou que clima e meio ambiente “ainda não estão a salvo”, lembrando o papel do Congresso Nacional, por onde passaram projetos como a nova lei de agrotóxicos, o avanço da tese do Marco Temporal e o enfraquecimento do licenciamento ambiental. Para 2027, os deputados e senadores eleitos apresentam um perfil ainda mais contrário à agenda ambiental.

“Para os próximos quatro anos, este cenário piorou: sete em cada dez deputados e senadores que vão compor a próxima Legislatura votam contra a agenda de clima e meio ambiente. É fundamental que o Executivo reforce sua atuação no Parlamento e amplie alianças”, aponta o texto da OC.

Projetos de lei aprovados no Congresso podem ser vetados pelo presidente, mas os vetos podem ser derrubados pela maioria absoluta nas Casas, ou seja, pelo menos 257 votos na Câmara dos Deputados e pelo menos 41 votos no Senado. Apenas o PL, partido do candidato derrotado Flávio Bolsonaro com histórico de votação anti-ambiental, possui 121 deputados federais e 29 senadores.

“A próxima legislatura tende a ampliar a influência de setores favoráveis à flexibilização das regras de proteção da natureza e à redução das salvaguardas ambientais. Nesse contexto, serão ainda mais necessários o engajamento da sociedade civil, a articulação política consistente e a defesa firme dos direitos socioambientais e da legislação ambiental. Essa mobilização é essencial para proteger as pessoas e a riqueza natural brasileira, estratégica para o bem-estar e a prosperidade do país”, reforça a WWF-Brasil.

“Depois de três semanas intensas, o que fica desse processo eleitoral é a esperança nos jovens, nas ruas e em todos aqueles que defendem a vida. Por conta da composição do Congresso Nacional, que viu a extrema-direita crescer muito e que tem em seus quadros um contingente de negacionistas e antiambientalistas, essa mobilização se fará necessária nos próximos quatro anos, para não perdermos direitos nem assistirmos a desmontes irreversíveis para o meio ambiente”, acredita a diretora executiva do Greenpeace Brasil.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica. →

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