Nesta quinta-feira (5), teve início o 1° Congresso Pan-Americano de Trilhas, simultâneo à versão brasileira do evento, este já em sua quarta edição. Além da ampla delegação do Brasil, o encontro, sediado em Foz do Iguaçu (PR), conta com a participação de representantes de países vizinhos como Argentina, Paraguai, Equador, Chile e Colômbia. Os hermanos latino-americanos têm se inspirado no modelo brasileiro, liderado por voluntários no território, institucionalizado pelo governo federal, e abraçado por estados e municípios.
“Estamos muito felizes e gratos com a realização do primeiro encontro pan-americano de trilhas e isso não seria possível sem a Rede Brasileira”, destacou a educadora ambiental paraguaia Araceli González, da Red Panamericana de Senderos.
A liderança do Brasil vem a reboque da experiência da Rede Brasileira de Trilhas – criada em 2018 e recentemente promovida à Sistema – que levou o país a mais de 250 trilhas planejadas, com mais de 40 mil quilômetros previstos e mais de 16 mil desses implementados, marcados pela já clássica sinalização de pegadas pretas e amarelas.
O Sistema Nacional de Trilhas, ou Sintrilhas, foi oficializado em junho deste ano, e celebrado na fala de autoridades brasileiras durante a abertura do congresso.
“O decreto [do Sintrilhas] transforma a rede nacional de trilhas em uma política pública permanente que traz segurança jurídica, capacidade de planejamento e continuidade”, pontuou Bernardo Issa, diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
A implementação do Sintrilhas prevê a criação de um comitê, em elaboração, que terá a responsabilidade de elaborar uma estratégia nacional para promover a agenda em território brasileiro. “E esse congresso é o lugar certo pra contribuir na construção dessa estratégia que será incorporada pelo comitê”, completa Bernardo.
O analista destacou ainda durante seu discurso na cerimônia de abertura a importância da Política Nacional de Incentivo à Visitação a Unidades de Conservação, aprovada em 2025.
O endosso do governo federal às trilhas pode ser traduzido pelo investimento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no evento. Patrocinador master do congresso, sediado inclusive pela primeira vez numa unidade de conservação – o Parque Nacional do Iguaçu –, a autarquia viabilizou a ida de mais de 250 participantes, entre servidores, terceirizados, comunitários e agentes temporários ambientais (ATAs).
“Nós conseguimos pela primeira vez trazer os nossos agentes temporários ambientais, porque são eles que realmente trabalham duro nessas trilhas e estão conosco no dia a dia”, destaca Iara Vasco, diretora de Criação e Manejo de Unidades de Conservação.
A agente Ana Kirsch, da Floresta Nacional São Francisco de Paula (RS), trabalha há três anos na unidade de conservação gaúcha, onde ajuda na sinalização dos Caminhos das Araucárias e está pela primeira vez no congresso. “É uma oportunidade de aprender, quero viver essa experiência”, disse a ((o))eco.

Rio de Janeiro abraça ainda mais a agenda
O primeiro dia de evento, marcado pela realização do 3° Seminário Técnico-Científico da Rede Brasileira de Trilhas, teve como destaque a assinatura de um acordo de cooperação do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea-RJ) com a Rede Brasileira de Trilhas.
A parceria, agora oficializada, é antiga. Afinal o estado fluminense é o berço das primeiras pegadas amarelas e pretas que coloriram a pioneira Trilha Transcarioca. Os quase 200 km que cruzam a cidade do Rio foram o embrião para criação da própria Rede, como lembrou a diretora de Biodiversidade, Áreas Protegidas e Ecossistemas (Dibape) do Inea-RJ, Julia Bochner, durante a assinatura do termo.
Em setembro, o governo fluminense já havia instituído o Programa Estadual de Trilhas do Rio de Janeiro. E com o acordo de cooperação dá mais um passo para expandir as trilhas no estado, que tem como grande projeto a Volta ao Rio, com 3.500 quilômetros que irão conectar mais de 100 unidades de conservação e trilhas já existentes.
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