De acordo com os cientistas, para que o planeta mantenha o acréscimo em sua temperatura média abaixo de dois graus centígrados (número considerado máximo para que os efeitos das mudanças climáticas não sejam devastadores), é necessário que as emissões de carbono equivalente girem em torno de 44 gigatoneladas em 2020. Isto não será possível. A notícia, no entanto, não é de todo ruim. Caso as metas estabelecidas durante a 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP15), realizada em dezembro passado em Copenhague, sejam plenamente cumpridas, o lançamento de gases de efeito estufa no fim da próxima década podem chegar a 49 gigatoneladas, cerca de 60% do necessário.
Este é o resumo do “The Emissions Gap Report: Are the Copenhagen Accord pledges sufficient to limit global warming to 2 or 1.5°C?”, estudo produzido pelo Programa de Meio Ambiente da ONU (UNEP, na sigla em inglês), em parceria com Fundação Climática Européia e Instituto Nacional de Ecologia do México. Ao todo, 30 cientistas de diferentes países assinam o documento, que foi lançado uma semana antes do início da próxima COP sobre o Clima, em Cancun, balneário mexicano.
A lacuna de cinco gigatoneladas de carbono a serem emitidas a mais do que o ideal em 2020 não assusta Achim Stenier, diretor executivo da UNEP. “Os resultados indicam que o encontro da ONU em Copenhague pode se transformar mais em um sucesso do que um fracasso caso todos os compromissos, intenções e financiamentos, incluindo suporte total às promessas das economias em desenvolvimento, forem cumpridos. Existe uma lacuna entre o que a ciência e os níveis atuais de ambição. Mas, o que este relatório mostra é que as opções que temos sobre a mesa nas negociações podem nos levar a um montante de 60% do caminho. Este é um bom primeiro passo”, afirmou.
Por outro lado, caso os países sigam os níveis mais baixos acordados, as emissões de carbono equivalente em 2020 podem ser 20% maiores do que os cientistas consideram razoável. Este é o temor de líder da Iniciativa Climática Global do WWF, Gordon Shepherd. “Este estudo confirma que existe uma lacuna de gigatons alarmante entre as promessas aceitas em Copenhague e os níveis muito mais baixos de emissões necessários para assegurar um futuro seguro para o clima”. A bola é sua, Cancun. (Felipe Lobo)
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