![]() |
Biólogo paulista com mestrado em Ecologia de Mata Atlântica, Edson Grandisoli ensina o que aprendeu em duas escolas de São Paulo. Formado em 1993, iniciou sua carreira enveredando em laboratórios na selva de pedra da grande metrópole. Mas, sempre que podia, escapulia levando grupos para atividades de campo. Foi assim que descobriu uma verdade inabalável: gostava tanto de levar pessoas para as florestas quanto de estar bem no meio das matas.
Nessas idas e vindas, conheceu a Reserva Particular do Patrimônio Natural Cristalino (RRPN), em Alta Floresta (Mato Grosso), a mais de 2.200 quilômetros de casa. A área é reconhecida pelo pioneirismo em ações de ecoturismo e como um dos principais pontos para observação de aves do país. Com a experiência acumulada, Grandisoli ajudou a desenvolver um projeto de educação ambiental para a região, a Escola da Amazônia, da qual é hoje coordenador-pedagógico. A iniciativa foi incorporada pela Fundação Ecológica Cristalino, responsável pela reserva.
Desde 2003, a escola promove viagens de estudantes de instituições particulares ao coração da floresta. Há seis associadas em São Paulo e o professor negocia parcerias no Distrito Federal, Rio de Janeiro e Bahia. As empreitadas são pagas por cada aluno, que vê de perto como vivem e trabalham as gentes em comunidades típicas da Amazônia, além de conhecer as riquezas da área protegida particular. Cidade e floresta se abraçam e entendem o quanto uma depende da outra. As visitas duram cerca de dez dias. Mais de 200 estudantes já passaram pela experiência.
O biólogo faz questão de ressaltar que as populações locais não foram esquecidas. Escolas de Alta Floresta são clientes tradicionais do projeto, abastecido com parte do dinheiro pago pelos estudantes paulistas. Todo mês, cerca de 20 alunos daquele município mato-grossense participam das atividades. Assim, jovens ganham um olhar mais conservacionista sobre o ambiente em que vivem. “Não há trabalho de conservação que sobreviva sem apoio da comunidade”, avalia Grandisoli.
É com esse espírito e com uma paixão pela fotografia alimentada desde o início dos anos 1990 que o biólogo maneja sua Nikon D80 para capturar imagens como as da apresentação acima. Com a Escola da Amazônia, descobriu a riqueza de detalhes e os contrastes inigualáveis da biodiversidade da floresta, sempre ignorada pelos mirabolantes projetos da política nacional. Com olhos atentos e lentes sempre à mão, Grandisoli vem retratando paisagens, animais, insetos, árvores e fungos. De lambuja, divide agora algumas dessas belezas com os leitores de O Eco.
Atalhos:
Criar Imagem – página mantida por Grandisoli em parceria com o fotógrafo Fernando Favoretto.
Escola da Amazônia
Fundação Ecológica Cristalino
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
A nova fronteira do crime organizado está na Amazônia
Estudo revela que atividades ilegais e facções impulsionaram quase 19 mil homicídios, reposicionando a violência no interior do Brasil →
Pressão minerária cerca terras indígenas em Mato Grosso e acende alerta
Estudo aponta avanço de processos no entorno de Terras Indígenas, riscos a povos isolados e fragilidades no licenciamento →
De saída no MMA, Marina faz balanço dos últimos 3 anos e ‘passa’ o bastão para Capobianco
Ministra destaca queda do desmatamento, reconstrução institucional e aposta na continuidade da agenda ambiental sob comando do ex-secretário executivo →


