De Chico Machado
Prezada Andréia,
Acabei de ler a reportagem sobre o desmatamento na Amazônia em O Eco. Aqui em Mato Grosso é isso ou muito mais. As avaliações da SEMA, quase sempre são equivocadas. Mas como está na reportagem, “não interressa o quanto, isso é muito desmatamento para um só estado: Mato Grosso continua sendo o campeão”.
Vou com freqüência para a Amazônia Mato-grossense e vejo com os meus olhos como estão os desmatamentos. É em larga escala. Acontece até nos parques e reservas, estaduais e federais.
Porém, chamo a sua atenção para os “desmatamentos que ninguém vê”, quais sejam os feitos por afogamento da vegetação, notadamente nos empreendimentos de hidroenergia, mas também ocorrem em menor proporção naquelas barragens para reter água para projetos de mineração. Como exemplo cito o complexo de usinas do alto rio Juruena, inicialmente todas usinas do senhor governador (com letras minúsculas mesmo), agora nem todas. Para se ter uma idéia, os remanescentes primários da vegetação florestal dessa área da pré-Amazônia residem nas margens do rio, exatamente onde a água os afogará. São milhares de quilômetros de mata que estão ou serão afogados, considerando todas as usinas que estão funcionando e as já licenciadas e que logo funcionarão.
É somente para lembrar você quando puder discutir com mais profundidade os modos como o estado perde os efetivos de florestas primárias.
Um grande abraço,
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
O século XXI começou no subsolo
O Brasil pode repetir o velho modelo de exportar recursos naturais ou transformar sua riqueza mineral e biológica em conhecimento, tecnologia e soberania →
Projeto em Alta Floresta expande pontes artificiais que zeraram atropelamento de primatas
A instalação de oito novas estruturas de passagem de fauna no município reforça a bem-sucedida estratégia de conservação local para macacos amazônicos ameaçados →
Ibase aponta desafios da urbanização de favelas do Rio diante da crise climática
Levantamento com 10 mil moradores identifica problemas de arborização, drenagem, saneamento e manutenção em 18 favelas da capital do estado →
