Fotografia

Águas que falam, por Maurício Simonetti

Nas lentes de Maurício Simonetti as águas têm voz. Ora falam sozinhas, suficientes em sua própria beleza, ora conversam com os homens, difíceis de entender.

Ricardo Gomes ·
7 de fevereiro de 2006 · 20 anos atrás

Paulista de Santo André, 46 anos de vida e 26 de fotografia, Maurício Simonetti costuma dizer que não é um profundo entendedor de rios. Mas as imagens o traem. Suas fotografias deixam claro que o saber das águas não passa necessariamente pelo conhecimento científico. Seu tema preferido desde que a profissão o aproximou da natureza para nunca mais afastar, as águas falam por si e pelos outros. Falam de beleza pura e simples, mas também muito sobre os homens que dependem tanto delas e as tratam tão mal. Simonetti tem um arquivo pessoal com cerca de 40 mil imagens que documentam a história, a cultura e a paisagem do Brasil e já ilustraram centenas de livros das principais editoras brasileiras, além de revistas nacionais e estrangeiras, jornais, guias, calendários e anúncios publicitários. É co-autor dos livros Bahia: Cores e Sentimentos e Brasil: Retratos Poéticos II, ambos editados pela Escrituras. Sua primeira exposição individual foi Carnaval paulistano (1980), seguida de Água brasileira (1995) e Fotoformas (2001).

As fotos publicadas aqui são produções recentes. O próprio autor explica, aproveitando para detalhar seu equipamento: “O rio São Francisco foi fotografado em junho de 2005, em minha primeira viagem com a D2x. O rio Tietê, em dezembro passado. A D2x chegou num dia, dali a dois embarquei para Aracaju. Lá aluguei um carro e me pus na estrada com o objetivo de fotografar. Projeto pessoal meu, meio férias, algumas pautas, a principal delas o rio São Francisco. Primeiro destino, Canindé do São Francisco. Levei a recém-chegada D2x, cartões de 512, 1 GB e 2GB, dois HDs portáteis de 20 GB cada um, cartão cinza 18%, uma antiga 14mm Sygma, 18/70 Nikon, 70/300 Nikon , flash Nikon SB800, aspiradorzinho de pó movido a pilha, acomodados numa pequena mochila Lowe, mais uma bolsa de cintura. Deixava no hotel a bolsa dos periféricos: uma Olympus E20 de back-up, cinco tipos diferentes de carregadores de baterias (celular, câmera, bateria de flash, um HD, o outro HD), cabos de transferência USB, sem laptop. Captando em RAW. Foram 11 dias fotografando o rio e as paisagens indo de Paulo Afonso à foz. Em dezembro fui contratado para fotografar a hidrovia Tietê-Paraná em Araçatuba, a 600 km da capital paulista. Uma imensidão de água verde e cristalina naquele ponto. Mais tarde, ainda em dezembro passado, voltei a fotografar no Tietê, desta vez em Bariri, no lugar onde meu pai me pôs em contato com Natureza pela primeira vez, em seguidas pescarias à beira do rio, 40 anos atrás. Desta vez troquei a velha Sygma por uma Nikon 12/24mm, e a Zomm 70/300 pela Nikon 80/200. Mais gente pescando, barcaça passando pela eclusa e a constatação de que o rio sofrera grandes desvios e obras de canalização para comportar as barcaças de carga”. Em outras palavras, só vendo as imagens.

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