Depois de, por anos, figurar entre os maiores desmatadores da Amazônia, o estado do Pará começa a mostrar seus bons resultados na área ambiental. Ontem (17), o governo do estado apresentou ao Ministério Público Federal os resultados de um acordo firmado em junho de 2009 para a realização de atividades pecuárias mais sustentáveis. Segundo dados do governo, 24.663 mil propriedades rurais já se regularizaram junto ao Cadastro Ambiental Rural, a maioria deles grandes produtores.
Com a inclusão no cadastro, que é controlado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, o pecuarista fica liberado para vender gado aos 70 frigoríficos, curtumes e marchantes que também assinaram o acordo com o MPF, que prevê o fim da comercialização de carne oriunda de propriedades envolvidas com desmatamento ilegal. Além do envolvimento com o desmate, os termos de ajustamento de conduta firmados entre Ministério Público e frigoríficos determinavam que os estabelecimentos também não recebessem gado de fazendas que exploram mão-de-obra em condições análogas à escravidão, que estivessem situadas em unidades de conservação, terras indígenas ou quilombolas, ou que tivessem áreas embargadas pela secretaria estadual de meio ambiente ou Ibama. Mato Grosso e Pará são os principais estados envolvidos com a “moratória da carne”, como foi chamado o acordo.
Além da grande adesão ao cadastro, o governo do Pará também comemorou as mudanças no sistema da Guia de Trânsito Animal (GTA), que passará a ser eletrônica. Mais de 95 mil propriedades que desenvolvem atividade pecuária no estado já foram georreferenciadas e entraram no cadastro da nova GTA. Até então, as guias eram emitidas manualmente, o que facilitava a ocorrência de erros e irregularidades. Com as mudanças no cadastro e nas guias, o governo contabiliza aumento de 552% na exportação de produtos agropecuários nos últimos três anos.
Apesar dos avanços, há pontos essenciais para a regularização na cadeia da pecuária que ainda ficarão em aberto. Durante o encontro de ontem, a governadora Ana Julia Carepa pediu mais prazo para o cumprimento de uma das cláusulas do acordo, que prevê licenciamento ambiental para propriedades rurais. Além disso, Ana Júlia pede que não só o Pará esteja na mira do MPF, mas que também outros estados sejam examinados. Os procuradores disseram que vão analisar os pedidos da governadora. Segundo último levantamento realizado pelo INPE, o Pará ainda figurava como o segundo maior desmatador da Amazônia.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Após pressão, prefeitura do Rio veta licença para derrubada de 900 árvores na Barra da Tijuca
Área próxima à Lagoa de Jacarepaguá era alvo de projeto imobiliário para construção de mega-condomínio residencial →
Marina Silva associa impasses da BR-319 a descumprimento de regras ambientais
Ministra do Meio Ambiente cita descumprimento de condicionantes, pressão sobre a floresta e judicialização como entraves ao avanço da rodovia →
Marina Silva anuncia PSA pirarucu e portaria para manejo sustentável, em Manaus
Programa do MMA deve atender 5,5 mil pessoas em 41 áreas e mobilizar R$ 15 milhões, com pagamento por manejo e certificação do pescado sustentável →

