
Hoje, sabemos que o Brasil conta em seu território com 103.870 espécies animais, a maior diversidade biológica do planeta. Neste impressionante número, estão cerca de 77 espécies de primatas. E aí se esconde uma espécie de macaco que talvez não seja tão conhecida do público: o guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul) – também conhecido por guariba, guariba-de-mãos-vermelhas, guariba-preta ou bugio-de-mãos-ruivas – primata endêmico do Brasil.
O guariba prefere áreas de vegetação aberta de transição com alta frequência de babaçus. Também pode ser encontrado em florestas de várzea e matas ciliares e, até, em vegetação de mangue. Não é difícil achá-lo: tem grande porte, medindo até 1 metro de comprimento da cabeça à cauda, e pesando entre 6,5 e 8,0 Kg, machos, e 4,8 e 6,2 Kg, fêmeas. Sua pelagem preta (as vezes marrom-escura) é curta e áspera, com mãos, pés e porção final da cauda avermelhados. A cauda preênsil, auxilia na lenta locomoção quadrupedal de um macaco que raramente salta.
Os A. belzebul vivem em grupos de 2 a 14 indivíduos liderados por um macho adulto. Os machos costumam vocalizar para determinar a localização do seu grupo e de outros, bem como para defender seu território de invasões.
A gestação, que ocorre a cada dois anos, dura mais de 150 dias, gerando um único filhote. Nas primeiras 3 semanas de vida, eles são carregados pela mãe junto ao ventre; em seguida, ficam agarrados no dorso. As fêmeas cuidam dos filhotes até o desmame que ocorre depois de 15 meses de vida. Ao atingir a maturidade sexual, entre 36 e 40 meses de vida, os machos se afastam do grupo.
Sua dieta é predominantemente de flores, folhas e frutos verdes ou maduros. Esta dieta sofre alterações sazonais, com predominância de frutos na estação chuvosa, e de folhas na estação seca. Também consomem cupinzeiros para auxiliar na absorção de compostos secundários e como complemento mineral.
A espécie enfrenta a ameaça de extinção
O A. belzebul é um animal pouco ativo, de movimentos lentos, que passa mais de 70% de seu tempo em descanso, a outra parte é gasta em atividades de alimentação. Esta característica o torna ameaçado pela caça e, nada surpreendente, é considerada como “Vulnerável” pela IUCN. Outro motivo, talvez mais relevante, é a sistemática redução de seus habitats: a Mata Atlântica e da Floresta Amazônica. O Resultado é a significativa queda nos últimos 36 anos da população do guariba, sendo que as populações do Nordeste encontram-se em estado crítico pela lista do ICMBio, tendo menos de 200 indíviduos.
“Cada macaco no seu galho”, diz a expressão popular. Mas o que será do macaco quando acabarem os galhos?
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