De Milton Dines
A abordagem do artigo de João Madeira toca no ponto central dessa questão, discutindo os limites entre o público e o privado, um tanto desgastados na atualidade. O uso de áreas públicas, como as unidades de conservação, deve ser necessariamente ponderado para atender a uma variedade de demandas e de experiências positivas que promovam a aproximação da sociedade com a natureza e a disseminação da importância da conservação do ambientes naturais. Este princípio fundamental, expresso nas Diretrizes para Visitação em Unidades de Conservação, vai além da sua força expressa pela portaria ministerial que transforma estas Diretrizes em diploma legal, norteando as decisões de manejo e gestão do uso público em áreas como os Parques Nacionais e Estaduais.
Por isso, é inaceitável que se conceda a um evento de caráter comercial e privado, regalias e direito de uso de locais que não estavam franqueados ao público em geral. Se os Parques são a categoria de UC que têm o privilégio de receber o público que deseja comungar com o ambiente natural conservado, essa benesse tem que ser para todos os visitantes, e não somente para aqueles que acenam com falsas promessas de “compensação” para o privilégio confesso por esse torpe instrumento.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Guardiãs do Babaçu: as mulheres que sustentam a floresta, a água e a tradição no Maranhão
Entre lama, coco e resistência, quebradeiras de Imperatriz preservam babaçuais, protegem a água da região tocantina e mantêm viva uma tradição ameaçada →
Rio de Janeiro sedia semana recheada de debates ambientais e climáticos
Rio Nature & Climate Week traz painéis com especialistas, lideranças indígenas, políticos, artistas, além de eventos paralelos, mostra de cinema e shows →
Uma castanha brasileira que ajuda a proteger o Cerrado
Com produção de baru, cooperativa situada no noroeste de Minas Gerais fortalece agricultores locais e gera renda aliada à conservação →
