De: Lais Sonkin engenheira florestal – perita ambiental
Marcos,
Chamou a atenção você citar o Club Mediterranee como um dos invasores da linha férrea. Eu sou francesa e sei como o francês respeita o meio de transporte mais eficaz da Europa – o trem. E espantoso que no Brasil, o mesmo francês, por sua empresa de ferias mais popular do mundo, o club med, venha desrespeitar o que é tão importante para o francês na França.
Eu moro em Cabo Frio e sei que o Club Med vai se instalar aqui na praia as custas de outros absurdos como a devastação do campo de dunas. Eu passeio no Peró e vejo aquele mar de cyrtopodium florido, a vegetação de restinga, a fauna, objetos de vários trabalhos publicados, teses de mestrado e doutorado, livros publicados e me pergunto que mecanismos legais vão permitir o que a legislação federal e a constituição do estado do Rio de Janeiro são explícitos em proibir, a ocupação de Áreas de Preservação Permanente.
Recentemente me enviaram um documento datado de 2005 em que um funcionário do SPU escreveu “a pedido do interessado” que o serviço publico não tem interesse nas terras, entregando as ao ” interessado “.
Eu me perguntei como é possível se os funcionários públicos do JBRJ, da UFF, da UFRJ, do Museu Nacional e outros já alertaram para a especial importância daquele ecossistema especifico para a manutenção da biodiversidade costeira. Assim, nós o povo brasileiro pagamos por meio de bolsas de estudo para que doutores brasileiros nos forneçam as informações sobre o ecossistema, os pesquisadores publicam trabalhos com recursos públicos e o SPU declara que o serviço público não tem interesse nestas áreas que os pesquisadores apontaram como altamente importantes.
Esta valendo o velho ditado brasileiro: Para os amigos tudo, para os inimigos a Lei. Só que os amigos não somos nós, são o Club Med. Mais: os franceses que eu conheço, amigos, parentes desconhecem totalmente a atuação do Club Med Outre Mer, ou seja, Alem Mar como eles dizem. A opinião publica francesa é poderosa. O francês é ligado em meio ambiente.
Mas será que a imprensa francesa toma conhecimento do que se passa? Não devemos atiçar a curiosidade de correspondentes estrangeiros para que divulguem o que se passa em nossa linha férrea e em nossos campos de dunas?
Eu acho que correspondente estrangeiro só gosta de guerra. Estou certa?
Um abraço e parabéns, O Eco é o Maximo.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Relatório da ONU faz novo alerta sobre insuficiência no corte de emissões globais
Combate à crise climática patina com emissões nas alturas. Documento mostra que políticas de Trump elevarão ainda mais emissões dos EUA, maior emissor global →
Fachin mantém suspensa licença de instalação de Belo Sun
Após meses de mobilização liderada por mulheres indígenas, Supremo mantém suspensão de licença para projeto de ouro na Volta Grande do Xingu →
Queda no desmatamento faz emissões do Brasil caírem pelo 2º ano consecutivo
Emissões de gases de efeito estufa do país caem 6% em 2025 e atingem o menor valor bruto desde 2018, de acordo com dados do Seeg divulgados nesta semana →


