Análises

Meu tributo à Marina Silva II

Redação ((o))eco ·
26 de maio de 2008 · 18 anos atrás

De Roberto Berlinck

Suzana,

Embora seu texto ressalte praticamente todas as ações positivas da ex-ministra Marina Silva frente à seu ministério, não abordou o problema da criação da CGEN e da regulamentação do acesso ao patrimônio genético. Como professor e pesquisador da USP há 15 anos, minha pesquisa se volta à descoberta de substâncias com potencial uso como medicamentos. Durante a gestão da ex-ministra, a obtenção de autorizações para a realização de pesquisas desta natureza foi EXTREMAMENTE dificultada.
Pesquisadores do Brasil inteiro trabalham como criminosos, pois não têm autorização para realizar pesquisas desta natureza, devido à burocracia e morosidade da avaliação das solicitações de autorização de acesso ao patrimônio genético. Minhas autorizações demoraram 6 anos para sair.

É aceitável?

É concebível que a ex-ministra e seu gabinete tenham imposto tantas restrições à pesquisa sobre biodiversidade no Brasil? Estas restrições foram inclusive comentadas na revista NATURE, altamente prestigiosa.

Infelizmente sua proposta de candidatura da ex-ministra à presidência é infeliz porque não avalia os defeitos e contras da gestão da ex-ministra, somente os prós. Ora, infelizmente a ministra faz parte de um grupo político que acredita que a Amazônia e a biodiversidade brasileira devem permanecer intocadas, o que é um verdadeiro absurdo.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



A pesquisa sobre a biodiversidade brasileira deve, sim , ser regulamentada, mas não barrada e impedida. De forma alguma. Vários pesquisadores brasileiros foram PRESOS por transportarem material biológico para pesquisas, enquanto que (sabe-se muito bem) biopiratas entram e saem através das fronteiras sem qualquer problema.

Não é esse o caso de “missionários” estrangeiros que vêm ao Brasil catequisar índios (como se estivéssemos nos idos de 1600), e transportam amostras de plantas e animais além fronteiras?

A vigilância sobre pesquisadores brasileiros é ferrenha – não é a mesma sobre biopiratas estrangeiros.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Externo
3 de agosto de 2026

Unidades de conservação estocam 33 anos de emissões nacionais

Levantamento mostra que áreas protegidas concentram 19,4 gigatoneladas de carbono; “Congresso pode se tornar maior fonte de emissões”, diz especialista

Notícias
3 de agosto de 2026

Justiça determina que gestão de pesquisa em SP não cabe à Fundação Florestal

Sentença aponta que gestão de pesquisas e áreas de experimentação científica deve ser responsabilidade de uma instituição dedicada à ciência, como o Instituto de Pesquisas Ambientais

Colunas
3 de agosto de 2026

A Amazônia não cabe na mesma linha de crédito

Na floresta, o dinheiro pode financiar mais produtividade ou mais desmatamento. Um novo estudo mostra como isso depende do território, da governança e das regras de acesso

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.