Entidades matogrossenses que se arvoram na defesa de interesses indígenas denunciam que a TV Globo está estereotipando e desrespeitando a dignidade dos povos nativos do Brasil através de uma personagem na novela “A lua me disse”. Na novela, Bumba – e este não é um nome indígena – é uma empregada maltratada pelos patrões, uma caricatura feita para causar o riso fácil. Além disso, a índia é tratada como uma selvagem tarada.
O que estas “entidades” não percebem é que novelas e filmes tratam de causas diversas e muitas vezes, interpretam realidades (mesmo as mais catastróficas) de forma cômica ou caricata. Acho que o lado tarado da índia nada mais é que uma sátira ao lado tarado dos portugueses, holandeses, franceses ou ingleses que, quando chegaram a Terra Brazilis, se encantaram com a beleza genuína da raça e partiram para cima, fazendo jus ao comportamento do animal que está no topo da cadeia alimentar.
Bom, como o que não falta neste país é catástrofe e injustiça, fica difícil, aliás, muito difícil, lidar com a realidade sem poder “brincar” com ela. Novela, antes de ser instrução, é ficção. Portanto, é feita para divertir. Desde que não deseduque ninguém, não tem a menor obrigação de educar alguém.
Os índios foram e são desrespeitados. Aliás, os índios, na minha opinião, fazem parte da natureza e, assim como milhares de outras espécies, estão em extinção. Foram injustamente banidos. A ignorância do “homem branco” é causa de uma série de desastres. A degradação do povo indígena é só uma delas. A novela não melhora ou piora a situação. Simplesmente a expõe.
A boa intenção das entidades não justifica atitudes amadoras. Pegar carona no IBOPE da Globo para levantar faixas e tentar boicotar uma novela é coisa de novato e certamente, vai acabar em pizza.
A história se repete. Gloria Perez, autora da novela América, também foi vítima de acusações por ter escolhido rodeios como cenário de sua trama. De forma absolutamente juvenil, defensores de animais resolveram boicotar a novela em função dos maus-tratos sofridos pelos touros que fazem parte deste circo.
“A maneira com a índia está sendo exposta na novela é um desrespeito à dignidade dos povos indígenas. Há preconceito. Ela é tratada de forma exótica, como se fosse um bicho. Ela é muito maltratada. E isso acaba sendo multiplicado, pois a TV tem uma grande capacidade de inculcar imagens sintéticas nas mentes das pessoas. Esse não é o papel da televisão”, afirmam as entidades do Mato Grosso.
Eles alegam que por lei, as emissoras de rádio e televisão são concessões públicas dadas pelo Estado por determinado tempo e devem se pautar por conteúdos que estimulem a educação, a cultura, a ciência e a formação da cidadania. Eu alego que concessões públicas determinadas pelo Estado estão mais desmoralizadas que qualquer índio do país.
E acredito que se a tal lei realmente fosse levada a sério, certamente quase toda a programação da TV seria banida. E questiono: Que critérios seriam utilizados para considerar um programa educativo ou não? Será que a programação do Sexy Hot passaria no teste?
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