Agora há planos para cercar a mata do Parque para melhor protegê-lo. Se a idéia é preservar, a iniciativa merece aplausos. Melhor ainda, contudo, seria uma ação mais pró-ativa, reconhecendo que o meio ambiente é o ganha pão dos ilhéus, ao mesmo tempo que criando medidas para suprimir ou mitigar os impactos do turismo. Nesse sentido, a idéia de Gilberto Espinosa de estabelecer uma trilha de 100 km, iniciando em Encantadas, pulando para o Parque Nacional da Ilha de Superagüi e terminando no Parque Estadual paulista da Ilha do Cardoso, é um projeto já experimentado em vários países, que disponibiliza um produto novo e dispersa os benefícios do turismo por toda a região. Medidas mais simples, entretanto, poderiam ser tomadas já. Uma melhor manutenção das trilhas a remoção completa das espécies exóticas da ilha, a começar por predadores tais como cães e gatos, e a capacitação dos ilhéus em eco-turismo são caminhos que já mostraram sua eficiência em vários lugares. O exemplo das Ilhas Seicheles, no Oceano Índico (vide minha coluna Primo Pobre Primo Rico) mostra que o incremento dos ganhos do empresariado e da comunidade não precisa necessariamente estar atrelado a um aumento da quantidade de turistas, mas pode estar associado a preço e preço alto só é pago por serviço de qualidade. No caso, note bem leitor, não estamos apenas falando da qualidade dos quartos dos hotéis ou da comida servida nos restaurantes, mas sobretudo da qualidade ambiental. Para atrair o turista classe A, é necessário ter trilhas em bom estado de conservação, esgoto tratado, mata conservada e, principalmente, privacidade. Para esse turista, o mal da colméia é que tem abelhas demais.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Quem faz a coexistência entre pessoas e fauna silvestre acontecer?
Por que precisamos reconhecer, formar e apoiar gestores e gestoras de coexistência e entender seu papel na conservação de espécies em conflito com moradores →
Ariranhas em risco: como conciliar conservação e turismo de observação?
O Pantanal se consolida como destino mundial de observação de fauna, mas o crescimento do turismo ainda ocorre sem diretrizes e políticas claras →
Na Amazônia, zonas eleitorais com mais evangélicos e brancos tendem a votar em candidatos contra o clima
Análise exclusiva da InfoAmazonia cruza dados eleitorais e demográficos e identifica associação entre composição racial e religiosa das zonas eleitorais amazônicas e a queda no alinhamento à pauta climática →

