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Taiamã, Dia 05: Tecnologia a serviço da conservação

É chegado o quinto dia da expedição. Após a captura, vem o rastreamento: a alta tecnologia desce o Rio Paraguai em prol da onça-pintada. Veja fotos.

11 de outubro de 2011 · 15 anos atrás
  • Adriano Gambarini

    Fotógrafo profissional desde 1991. Vencedor do Prêmio Comunique-se, é geólogo de formação, com especialização em história natural e espeleologia, autor de 20 livros e diretor de dezenas de documentários. →

Nesta semana, Adriano Gambarini acompanha a expedição à Estação Ecológica de Taiamã, no Mato Grosso. Ele conta aqui o dia-a-dia dos pesquisadores e o monitoramento das onças pintadas.

 

DIA 05

 

Nuvens de fumaça figuram a morte vegetal, a fuga animal e a estupidez humana. Foto: Adriano Gambarini
Nuvens de fumaça figuram a morte vegetal, a fuga animal e a estupidez humana. Foto: Adriano Gambarini
Passado a empolgação da primeira captura, vem agora o trabalho no monitoramento da onça. Não preciso nem dizer que nossa ansiedade só aumentou com esta primeira onça-pintada capturada; os pesquisadores do CENAP e Esec de Taiamã estão iniciando um trabalho de extrema importância tanto na compreensão da ecologia da espécie, como na identificação de iniciativas de normatização do turismo que vem aumentando a cada dia.

Mas não basta capturar, é preciso ter rigorosos critérios de trabalho. E ontem os pesquisadores tomaram uma postura visando exclusivamente a segurança do bicho. Como mostrei no primeiro blog, o entorno da Esec está em chamas; confesso que sempre que ouço o tilintar de árvores pegando fogo me pergunto quando o homem se tornará realmente racional. Enfim, por conta de uma nuvem de fumaça que entristeceu os céus, Rogério e Fred decidiram desativar dois laços com grande potencial de captura, já que foram montados numa área com inúmeros sinais de que as onças a utilizava com freqüência: arranhados em árvores, cheiro, restos de animais comidos, etc. Mesmo assim, decidiu-se pela segurança dela, da pintada.

Desde ontem estamos checando 8 laços; os segundos que antecedem o momento de escutar o sinal do alarme do laço parecem se tornar uma eternidade…o vento pára, o rio deixa de correr. Tudo parece imergir no gesto de levantar a antena, olhar para o vazio e se concentrar no som.

Rogério, Selma e Daniel aproveitam para começar o trabalho de telemetria; o radio-colar utilizado possui uma tecnologia de ponta, a começar pelo ‘drop-off’, sistema que permite que o colar abra automaticamente apos um tempo pré-determinado, assim a onça não fica o resto de sua vida com o colar. Alem disso, possui um GPS que guarda todas as informações possíveis sobre a vida do animal. Estas informações são captadas periodicamente pelos pesquisadores através de download. Tais informações traduzem exatamente a vida do animal. Quais são as áreas utilizadas em grande e pequena escala, por onde e durante quanto tempo as onças permanecem, quais os períodos de maior atividade. É realmente fantástico e até mesmo paradoxal ver os pesquisadores em pleno Rio Paraguai, vestindo roupas surradas de campo, castigados pelo calor impiedoso da região (e as marcas avermelhadas deixadas na pele pelas malditas mutucas!), carregando computadores, cabos, gps e receptores digitais de telemetria. Tudo pela onça…

Clique nas imagens para ampliá-las

Rogério Cunha instala o dispositivo de alarme, que avisa via sinal de radio, quando o laço foi desarmado.
Ronaldo Morato capta o sinal do dispositivo de alarme, próximo das áreas de instalação do laço.  
Rogério, Daniel e Selma iniciam o primeiro download das informações do GPS do colar.

 

 

 

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