Colunas

Pinturas amazônicas podem inspirar conservação da biodiversidade?

Para o colunista Ramiro Escobar, paisagens amazônicas em pinturas são capazes de inspirar as pessoas na conservação da floresta

29 de fevereiro de 2012 · 14 anos atrás
  • Ramiro Escobar

    Jornalista especializado em temais internacionais e ambientais. Atualmente é colunista do diário La República e colaborador, ...

Pintura de Calvo de Araújo retrata paisagem amazônica. Imagem: Reprodução.

Nas obras do artista asháninka Enrique Casanto, homens se confundem com tamanduás ou jacarés. Para Rember Yahuarcani, pintor de antepassados huitotos, “as culturas amazônicas são uma só com a floresta”. Como concordam Gino Ccecarelli e Luisa Elvira Belaunde (ele pintor e ela antropóloga), os artistas da Amazônia possuem uma sensibilidade que nasce de suas próprias cosmovisões. Vemos céus, terras, árvores e animais em imagens que, explícita o implicitamente, destilam ar conservacionista e inspiram o cuidado ambiental.

Como diz Ccecarelli, os pintores modelam em suas obras o que estão vendo e o que podem vir a deixar de ver. O asháninka Noé Silva, para citar um caso, pintou um quadro chamado “Shihuahuaco”, nome de uma árvore já muito derrubada na floresta peruana. Segundo Belaunde, através deste quadro o espectador “é chamado a ver através dos olhos de Noé” e a olhar esta espécie de maneira mais respeitosa.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Luisa argumenta que, além de pintar tal planta, animal, rio, paisagens amazônicas provocam “uma experiência que quebra nossos preconceitos e nos permite refletir que, para conservar a floresta, temos que compreendê-la de dentro para fora”, ou seja, é necessário despertar a sensibilidade. Talvez porque, como diria Paul Cézanne, o famoso pintor pós-impressionista, “a natureza está no interior”. “Eu nunca estive na Amazônia, mas quando vejo esses quadros me sinto atraída pelas cores, pela exuberância de uma paisagem abundante e me pego com vontade de preservar esse ecossistema”, afirma a limenha Charo Noriega.

Meu próprio trabalho, de tantas viagens e reportagens, se alimenta dessa quase tela contínua que parece existir entre a floresta e a arte amazônica. Quando a gente entra na floresta, se sente parte de um grande mural natural que pode nos acolher ou ameaçar. Uma maneira intensa de reviver essa sensação, tão útil para o meu trabalho, é me deixar levar por um desses belos quadros, muitas vezes reveladores em suas paisagens, incluindo as que, infelizmente, já deixaram de existir.

Huitoto

 

Yando Ríos

 

Brus Rubio (Etnia Bora-Huitoto)

 

Roldán Pinedo

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
28 de julho de 2026

Restauração nos Lençóis Maranhenses e como resolver dois problemas com um plantio só

Além de recuperar 20 hectares da vegetação nativa do Cerrado e de restinga, plantio irá fechar acessos clandestinos ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

Salada Verde
27 de julho de 2026

Entidade do agronegócio defende prevenção diante do avanço dos eventos extremos

Defensora da mudança no licenciamento que isentou o Agro de estudo de análise ambiental, Associação Brasileira do Agronegócio pede reforço na preparação para eventos climáticos extremos após temporais

Notícias
27 de julho de 2026

Países avaliam pela primeira vez o progresso das metas globais de biodiversidade

Reunião das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica no Quênia analisa progresso das 23 metas estabelecidas no Marco Global de Kunming-Montreal até 2030

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Comentários 1